Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 26/04/2021

A obra cinematográfica “Fuja”, de 2020, aborda o tema capacitismo ao evidenciar o comportamento superprotetor da mãe de uma adolescente cadeirante. No filme, a mãe capacitista vê sua filha cadeirante como incapaz de levar uma vida normal e, por conta disso, necessita de ajuda em todos os aspectos de sua vida. O combate ao preconceito contra pessoas deficientes é um tema relevante também no Brasil, já que o país conta, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com cerca de 46 milhões de pessoas com alguma necessidade especial. Em território nacional, as ideias equivocadas sobre pessoas portadoras de necessidades especiais têm duas principais causas: não há ensino sistemático voltado para a compreensão das carências das pessoas deficientes e há pouco espaço na mídia dedicado a esse conjunto de pessoas.

De início, vale ressatar que, de acordo com o Ministério da Educação, os assuntos voltados à inclusão social, como combate à discriminação, são de responsabilidade dos estados e municípios. Como não há obrigação sobre o que se ensinar a respeito de diversidade, muitos temas deixarão de ser abordados caso não haja interesse de governadores ou prefeitos. Isso faz com que muitas pessoas passem por todo o sistema de ensino sem que tenham tido contato com temas como o capacitismo, o que torna a ideologia capacitista prepoderante no meio social brasileiro, pois ela surge dos preconceitos não desfeitos.

Além disso,  a ausência de protagonistas deficientes em trabalhos audiovisuais faz com que essas pessoas não sejam percebidas como atores principais de suas próprias vidas. De acordo com o filósofo Theodor Adorno, a indústria cultura tem como propósito moldar a consciência das massas às necessidades dos detentores dos meios de produção. Dessa forma, a falta de personagens com incapacidades físicas ou mentais pode ser entendida como o pouco valor dados a essas pessoas pelos grandes capitalistas. Assim, o entretenimento midiático atua como reforço ao capacitismo, pois oculta aqueles fora dos padrões e cria uma visão mistificada sobre o assunto.

Portanto, para que essa problemática seja minorada, faz-se mister que o Governo Federal, por meio de lei, sistematize a abordagem ao capacitismo e que sejam criados mais espaços para os deficientes nas produções de audiovisual. Para tal, deve ser eleaborado, junto a especialistas em pedagogia e psicólogos, material que deverá ser comum a todos os estudantes do país. Ademais, empresas como a Netflix e Rede Globo devem propiciar aos espectadores mais produções cujos protagonistas são deficientes, para que dessa forma haja maior representativa do segmento. Dessarte, os preconceitos contra deficientes certamente diminuirá.