Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 27/04/2021
Durante a Antiguidade Clássica, o Estado militar de Esparta assassinava as crianças portadoras de deficiência física, pois, eram consideradas inaptas a contribuir com a pólis grega. Contemporaneamente, as pessoas com deficiência (PCD) são consideradas iguais perante à lei. Todavia, a sociedade ainda considera esses cidadãos como inferiores e inaptos a levar uma vida comum, ato denominado capacitismo. Nesse sentido, é extremamente necessário combater esse preconceito, para efetivar a democracia brasileira. Assim, deve-se combater o desconhecimento acerca do assunto, e analisar o papel da mídia, como perpetuadores dessa inercial problemática.
Antes de tudo, é válido enfatizar que a ignorância fundamenta a persistência do problema. Nessa lógica, destaca-se o fato que ao longo do séc. XIX, as PCD eram utilizadas em atividades circenses, utilizando sua condição física como pretexto para divertimento, acirrando o preconceito. Não obstante, embora o pensamento da sociedade tenha se alterado, as pessoas ainda possuem dificuldades em compreender as diferenças. Além disso, devido à falta de conhecimento, tratam os portadores de deficiência de forma diferente, praticando o capacitismo, isto é, ato de subestimar as capacidades cognitivas, físicas e emocionais desse indivíduo, julgando-o como incapaz de levar uma vida comum.
Por outro lado, é imprescindível analisar não só o papel da população, mas também a estrutura da mídia que acentua esse preconceito. Segundo o livro “Não Nascemos Prontos”, escrito pelo filósofo Mário S. Cortella, a mídia tornou-se um corpo docente devido, principalmente, ao grande poder coercitivo que exerce sobre a população. Ademais, consoante ao pensamento do escritor, faz-se relevante destacar o relatório da fundação Ruderman Family. De acordo com o órgão, dos 280 programas televisivos anglo-saxões, a maioria retratou as PCD de forma depreciativa, dependente e incapaz. Dessa maneira, essa instituição social coage os telespectadores, reforçando esse estereótipo.
Enfim, mediante o exposto, é mister que diligências sejam tomadas para reverter esse quadro. Logo, cabe à Agencia Nacional do Cinema Nacional (ANCINE), em parceria com a Mídia, a criação do programa, Extinção ao Capacitismo (EAC), cuja principal função será disseminar o conceito entre a população. Para tanto, esses órgãos, através de verbas concedidas pelo Governo Federal, devem veicular campanhas midiáticas nas redes sociais, devido ao grande alcance desses meios, explicitando as principais situações do cotidiano que as pessoas praticam esse preconceito, e como evitá-las. Outrossim, através de uma iniciativa público-privada, esses órgãos devem estimular a caracterização das PCD, nos principais programas televisivos, de uma forma natural que não reforce esse estereótipo. Destarte, o capacitismo será atenuado no Brasil, consequentemente, a democracia será efetivada.