Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 09/11/2021
Em Esparta, na Idade Antiga, as deficiências não eram respeitadas - a valorização do físico era tamanha que crianças fora do padrão eram descartadas. Embora a realidade seja obstante em questão da brutalidade, reflexos dessa situação ainda se fazem presentes. Assim, pensa-se em um Brasil capacitista, sobretudo nas mídias e ambientes de convivência.
Ao discorrer sobre o assunto, nota-se que a mídia de maneira geral, como exímia formadora de opinião, contribui para a realidade do capacitismo. Essa questão vem de diversos fatores, como a programação pouco representativa, em que os personagens principais são majoritariamente pessoas sem deficiência. Nessa mesma linha, é possível perceber a falta de punição a ofensores na internet. Entretanto, alguns influenciadores vêm buscando ampliar sua voz em plataformas digitais como o TikTok, como é o caso de Clarinha Mar e Ivan Baron, pessoas com deficiência que fazem vídeos desestigmatizando conceitos e proporcionando conteúdos educativos. Assim, vê-se que o uso da mídia pode atuar positiva e negativamente.
Sobre o mesmo assunto, sob outrão perspectiva, nota-se o capacitismo na falta de acessibilidade em ambientes comuns. Assim, ruas, calçadas e prédios públicos são apenas alguns exemplos de espaços que frequentemente encontram-se despreparados para pessoas com dificuldade de locomoção. Paralelamente, em 2016, com a realização das Paralimpíadas no Rio de Janeiro, houve a construção de diversos estádios e grande atenção da mídia, mas a situação com estruturas necessárias no cotidiano se mostra diferente. Dessa maneira, os espaços físicos servem como uma metáfora para o espaço social - uma sociedade despreparada para atender a necessidades básicas de um indivíduo não é capaz de incluí-lo no seu organismo.
Infere-se, por fim, que o Brasil é um país capacitista e seus organismos contribuem para a manutenção dessa realidade. Assim, cabe à mídia, como exímia formadora de opinião, rever seu papel na manutenção do capacitismo, com a punição de agressores virtuais e a busca pela ampliação da representatividade nas diversas formas de entretenimento, a fim de desnaturalizar os preconceitos da sociedade. Ademais, cabe ao Poder Público, através de seus diversos órgãos e por meio do patrimônio acumulado, investir no melhoramento de estruturas públicas e comuns, com obras de pequena ou grande magnitude, a fim de colaborar com o cotidiano das pessoas com deficiência. Os brasileiros contemporâneos devem abandonar a visão dos antigos espartanos.