Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 11/05/2021
A constituição Federal de 1988 declara em seu artigo 5 que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Porém, infelizmente, é perceptível que parte da população ainda não tem acesso efetivo ao que lhe preconizado constitucionalmente. Isso é evidenciado a partir da existência do capacitismo, preconceitos em relação à deficiência, o qual excluir e marginalizar suas vítimas devido a presença de uma sociedade líquida.
Diante desse cenário, é importante compreender de que maneira a liquidez da sociedade contribui para a manutenção desse estigma. Nesse viés, na obra “Modernidade Líquida”, o sociólogo Zygmunt Bauman defende que o individualismo é uma das principais caracteríticas das sociedades modernas e, por conseguinte, a população tende a não tolerar diferenças. Sendo assim, no Brasil, essa questão assume contornos específicos, visto que existe uma hierarquização das pessoas em função da adequação de seus corpos a um ideal de beleza e capacidade funcional. Dessa forma, os indivíduos que apresentam alguma deficiência, seja ela física, intelectual ou sensorial, tende à serem tratados como incapazes, de trabalhar, de estudar, de amar, etc. Nesse sentido, a melhor forma de superar os desafios impostos pelo capacitismo é desmitificado o individualismo.
Aliado a isso, a exclusão social também é um desafio para o combate ao capacitismo no Brasil. Nesse contexto, na obra “Como a voz importa?” o sociólogo Nick Couldry reflete sobre um dos principais problemas do mundo contemporâneo, a desigualdade da fala, isto é da capacidade de expressão. Segundo ele, existem inúmeras vozes que, por não serem ouvidas, acabam relegadas a inexistência. Dessa maneira, quem são essas vozes abafadas, se não à das vítimas do capacitismo? Assim, esse é um dos grupos que mais sofre com o processo de marginalização e falta de representação no marcado de trabalho, por exemplo. Desse modo, segundo dados do IBGE apenas 1% das pessoas com deficiência está empregada.
Diante dos fatos supracitados, é notório que o capacitismo tem como pano de fundo a intolerância e a exclusão. Portanto, as escolas- pois são a principal instituição formadora de cidadãos críticos- devem desarticular preconceitos, a partir de aulas que apresentem ideias de igualdade de tratamento e respeito as diferenças, a fim de desconstruir qualquer hierarquização de pessoas. Além disso, ao Governo compete aumentar as fiscalizações, com o objetivo de garantir o cumprimento da lei de cotas pelas empresas, o que poderá assegurar a participação das pessoas com deficiência no mercado de trabalho, Logo, será possivel afiançar o que preconiza a carta Magna.