Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 17/05/2021

O livro “Extraordinário” conta a história de Auggie, um menino que nasceu com uma síndrome rara, cuja sequela é uma severa deformidade facial, e que tem o objetivo de convencer seus colegas que apesar da sua deficiência, ele é um menino igual a todos os outros. Apesar do contexto fictício, é notória a semelhança do filme com o cenário atual do Brasil em que pessoas com deficiência são tratadas como incapazes, muitas vezes devido à ignorância por parte da população.

Em uma primeira análise, não há dúvidas que pessoas com deficiência são tratadas de forma preconceituosa seja no ambiente de trabalho, familiar ou mesmo nas ruas. Ademais, é inegável que os estereótipos presentes em nossa sociedade refletem a ideia de que pessoas que apresentam alguma deficiência são ineptos de fazer, pensar, sentir o que as demais pessoas podem. Tal mazela reflete na falta de informação por parte da população brasileira, que julga tais estereótipos como verdadeiros e vem a negligenciar o fato de que, pessoas portadoras de deficiência não são incompletas ou muito menos incapazes, e devem ser tratados como iguais perante todos.

Em uma segunda análise, é importante ressaltar que o capacitismo tem grande efeito em nossa sociedade. Uma reportagem publicada pelo “Jornal da Unicamp” em setembro de 2020, relata que mesmo após trinta anos desde a promulgação da “Lei de Cotas”, esta ainda não é plenamente cumprida. Do mesmo modo, os cidadãos portadores de deficiência muitas vezes também se vêem excluídos do ambiente escolar e familiar, fatores que trazem inúmeras consequências para a vítima, tanto para sua vida social, financeira e psicológica.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação (MEC) em parceria com o Governo Federal e a Mídia, oferecer palestras e campanhas com o objetivo de informar a população para que a imagem dos portadores de deficiência possa ser restaurada. Do mesmo modo, o Ministério Público Federal (MPF) deve realizar inspeções e aplicar multas a fim de fiscalizar as leis trabalhistas, para que as pessoas com necessidades especiais possam ganhar um maior espaço no mercado de trabalho. Assim, se medidas como estas forem tomadas, os cidadãos brasileiros que possuem alguma deficiência serão vistos como iguais, assim como o objetivo de Auggie.