Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 19/05/2021
Na Grécia Antiga, as pessoas portadoras de deficiência eram mortas pelos espartanos pois não serviriam para participar das guerras. Esse fenômeno eugenista se perpetua nos dias atuais por meio da exclusão desses indivíduos da sociedade. No Brasil, por exemplo, a inferiorização dos deficientes e o capacitismo sofrido por eles são decorrentes da insistente padronização dos corpos pela sociedade e da extrema falta de empatia com esses indivíduos.
Em primeiro plano, é necessário afirmar que a imposição de um modelo de corpo ideal é o principal fator que leva ao capacitismo. Nesse sentido, e de acordo com o filósofo Michel Foucault, em seu conceito chamado “Corpo e Poder”, a sociedade tende a padronizar e a hierarquizar os cidadãos de acordo com seus corpos e comportamentos e, a partir disso, excluir aqueles que forem desviantes do padrão. Desse modo, as pessoas deficientes ficam às margens sociais e são vistas como incapazes por apresentarem diferenças físicas, o que subjuga suas habilidades mentais e corporais em relação aos outros indivíduos.
Além disso, a falta de empatia com os portadores de deficiência colabora significativamente para uma visão deturpada dos mesmos. Sob essa ótica, e de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua teoria sobre a Modernidade Líquida, os seres humanos estão inseridos em uma sociedade extremamente individualista, na qual as relações sociais são efêmeras e perdem a importância. Dessa maneira, os indivíduos não possuem a habilidade de se colocar no lugar do outro e inferiorizam e rotulam as pessoas deficientes como inaptas ao trabalho, à educação, ao esporte, entre outros, o que as impedem de ocuparem seus lugares na sociedade.
Logo, medidas são necessárias para acabar com o capacitismo no Brasil. A mídia, aliada ao Estatuto da Pessoa com Deficiência, deve promover a inclusão de pessoas com deficiência nos veículos de comunicação, por meio da criação da campanha “Todos somos iguais”. Nesse projeto serão feitas propagandas com a finalidade de promover a imagem dos deficientes e ressaltar a diversidade de corpos e suas diferentes habilidades. Dessa forma, a padronização dos indivíduos e o capacitismo diminuirão significativamente no Brasil.