Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 25/05/2021
Em “Extraordinário”, R.J. Palacio retrata as dificuldades vivenciadas por August Pullman, um garoto que nasceu com uma deformidade facial; em paralelo com a realidade, a discriminação contra pessoas portadoras de deficiências, denominada capacistimo, mostra-se acentuada no Brasil. A mazela se intensifica através da ignorância, visto que os estereótipos exercem forte influência no comportamento da sociedade diante de deficientes; ademais, o descaso por parte do Estado dificulta a resolução da problemática, visto que as medidas de inclusão ainda são precárias.
Em primeiro plano, é indubitável a existência do preconceito associado às pessoas portadoras de deficiência, sejam físicas ou mentais, justamente por conta dos estereótipos associados a tais enfermidades. De acordo com o Artigo 5 da Constituição Federal, todos os cidadãos são iguais, sem distinção de qualquer natureza; entretanto, na prática, nota-se que, em se tratando do pensamento coletivo, muitas pessoas possuem um ideal de um indivíduo considerado perfeito, associado a seus corpos e capacidades intelectuais. A mazela desponta a partir do momento em que, pessoas que se diferenciam desse padrão, são vítimas de exclusão e julgamento por parte daqueles que sequer as conhecem.
Ademais, é válido ressaltar o descaso por parte do Estado e a ausência de medidas que visem à inclusão de cidadãos portadores de deficiências na sociedade. No âmbito educacional, por exemplo, ainda que a educação seja garantida a todos por lei, dados do Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (Unicef), apontam que 70% dos deficientes não frequentam a escola. A causa dessa mazela está associada, em sua maioria, à falta de infraestrutura apropriada e da formação correta de profissionais que possam acompanhar os alunos em suas necessidades especiais. Dessa forma, as desigualdades sociais se mantêm em evidência, de modo que o preconceito e estereótipos permanecem: os referidos continuam a ser vistos como incapazes.
Portanto, nota-se que, diante do capacitismo em questão no Brasil, devem ser buscadas formas de atenuar o estigma e exclusão social enfrentados por deficientes. Para que tal fim seja alcançado, o papel da mídia, através de campanhas com representatividade e que evidenciem a igualdade, é fundamental; ademais, cabe ao Ministério da Educação investir em projetos que promovam melhorias de infraestrutura em escolas públicas, de modo que o desenvolvimento adequado do indivíduo possa ser alcançado. Tal qual a mensagem trazida pelo livro “Extraordinário”, a busca por mudanças e inclusão podem ser difíceis, mas são possíveis.