Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 20/05/2021

O pintor Pablo Picasso, na obra “Guernica”, apresenta uma flor no plano inferior da tela, simbolizando uma ideia de esperança diante de um cenário de destruição causado por um conflito bélico. É possível realizar uma analogia entre esse elemento simbólico e o capacitismo como elemento de exclusão escolar e profissional no Brasil, já que, diante deste entrave, adotar uma postura otimista pode favorecer o “florescimento” de soluções. Nessa perspectiva, é imprescindível analisar essa questão no país.

Antes de tudo, compreende-se que o Poder Público tem se mostrado negligente ao permitir o capacitismo. Isso porque existe uma falha no processo de investimento financeiro, uma vez que faltam verbas para promover a especialização dos professores para atender às necessidades dos alunos com deficiência, como exemplo, os surdos, prejudicando, assim, a consolidação do direito à educação destes. Dessa maneira, nota-se que o Estado não tem assegurado o bem-estar de todos, o que se configura como um rompimento do contrato social teorizado pelo filósofo Thomas Hobbes.

Ademais, evidencia-se a ausência de engajamento coletivo para se alcançar, de fato, uma sociedade sem o capacitismo. Como prova disso, verifica-se a inércia de parte da população ao não lutar em prol da aplicação das leis existentes, posto que falta garantir o ordenamento jurídico que prevê cotas para a contratação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, o que compromete a inclusão social destas. Recorrendo aos estudos do sociólogo Zygmunt Bauman para explicar essa situação, constata-se que os indivíduos, após a Segunda Guerra Mundial, foram influenciados pelo pessimismo da modernidade e passaram a aceitar quadros sociais negativos.

Ressalta-se, portanto, que o capacitismo deve ser superado. Para isso, é necessário exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, o investimento financeiro, priorizando verbas para proporcionar a especialização dos professores de alunos com deficiências, a fim de que estes tenham sua educação escolar garantida e que atenda como suas necessidades. Além disso, é fundamental sensibilizar a comunidade, via campanhas midiáticas feitas por ONGs, sobre a importância de não se adotar uma postura resignada diante da exclusão profissional de cidadãos com deficiência, potencializando, assim, a mobilização social a favor da aplicação mais rigorosa da legislação vigente que prevê a contratação desses em ambientes de trabalho, com o objetivo de incluí-los socialmente. Desse modo, seria possível solucionar essa problemática e não restringir a esperança à obra de Picasso.