Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 27/05/2021

A animação japonesa ‘‘A voz do silêncio’’, denuncia o bullying praticado contra a estudante Shouko Nishimiya, pelo fato dela ser portadora de deficiência auditiva. Transpondo o conteúdo ficcional, na contemporaneidade, ainda há desafios para impugar o capacitismo no Brasil, por conta do preconceito enraizado somado aos padrões impostos pela sociedade. Dessa forma, é necessário analisar as causas e consequências da problemática para, assim, combatê-la e tornar a nação mais democrática.

Cabe mencionar, em primeiro lugar, a discriminação sofrida por grande parte das pessoas com necessidades especiais, e a continuidade dessa prática como um obstáculo. Conforme o exímio crítico francês Taine, em sua teoria do ‘‘Determinismo Científico’’, os indivíduos tem suas ações influenciadas pelo meio em que vivem. Logo, é possível afirmar que a causa da intolerância arraigada na sociedade é a sua propagação, pois por meio da persuasão e a falta de pensamento crítico os cidadãos sujeitos ao ambiente tóxico podem ser influenciados a reproduzirem os mesmos atos preconceituosos, como, por exemplo, o bullying. Portanto, é fundamental eliminar esse cenário do convívio social e alertar a população sobre possíveis danos físicos e psicológicos acarretados por essa constante opressão.

Cabe mencionar, em segundo lugar, a padronização dos conceitos excludentes de estética e da capacidade em realizar uma tarefa como imbróglios a serem superados. De acordo com o ilustre sociólogo Émile Durkheim, em sua tese sobre o ‘‘Fato Social’’, é afirmado que os fatos sociais moldam a maneira de agir das pessoas, pois se um único indivíduo não seguir o padrão compulsório ele é reprimido pelos demais. Destarte, indubitavelmente, o capacitismo é instigado, principalmente, pelas mídias dominantes, como Instagram, revistas de moda e comerciais televisivos nos quais os grupos minoritários e que não se encaixam ao modelo proposto são excluídos. Dessarte, é imprescindível romper conceitos pré-formados para incluir e desmarginalizar aquele que é diferente.

Em síntese, a emergência em pugnar os conflitos supracitados requer prioridades do Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Saúde com fins de estagnar o capacitismo no país. Urge desenvolver um projeto nas instituições de ensino fundamental e médio, como as escolas públicas ou privadas, por meio de semanas educativas com seminários e palestras sobre o respeito aos portadores de deficiências, e, também, elas deverão ser realizadas com o auxílio de psicólogos e médicos especializados no assunto. Ademais, as Organizações Não Governamentais devem realizar parcerias com a Agência Nacional do Cinema, por intermédio de propagandas e filmes, com o fito de mostrar os diferentes tipos de beleza além dos esteriótipos e, assim, incluir os marginalizados. Somente assim, será possível evitar o cenário vivenciado pela discente Shouko na sociedade brasileira.