Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 27/05/2021

No filme “Hoje eu não quero voltar sozinho”, um dos protagonistas é cego e é tratado como alguém incapaz por seus amigos e familiares. De maneira análoga, na atual conjuntura social brasileira, milhares de PcD’s (Pessoas com deficiência) são rotuladas como pessoas incapazes de realizar simples tarefas do cotidiano. Dentre os fatores que evidenciam essa problemática é possível citar a ineficiência de políticas públicas voltadas à educação. Além disso, a representativide equivocada corrobora o agravamento do cenário descrito. Portanto, urgem políticas públicas para amenizar esse preocupante quadro.

De acordo com a realidade supracitada, é relevante ressaltar, de início, que há negligência das ações do Poder Público no que se refere à educação. Consoante o pensamento aristotélico, presente na obra “Ética a Nicômaco”, é dever do governo garantir a integridade social. Contudo, percebe-se que essa vertente não transcende o postulado filosófico, uma vez que o Estado é falho e os casos de capacitismo cresce constantemente, pois não há a abordagem sobre temas transversais na escola, como a explicação e ensino do combate às falas capacitistas, e sem esse debate o número de pessoas informadas sobre o assunto diminui. Em virtude disso, é inaceitável que essa questão ainda perdure, tendo em vista que essas falas segregam cada vez mais PcD’s.

É imprescindível pontuar, ainda, que a presença estereotipada de pessoas com deficiência na mídia é outro aspecto preocupante. Nesse contexto, o cenário descrito pode ser comprovado pela teoria presente na obra “Consequências da Modernidade”, do sociólogo Anthonny Giddens, cujo conceito revela uma sociedade moldada por valores questionáveis. Segundo essa linha de pensamento, a mídia retratar deficientes como pessoas incapazes é um valor duvidoso, haja vista que tal pensamento é equivocado, já que eles podem realizar atividade diárias comumente, e apenas gera uma imagem errônea de PcD’s. Sendo assim, infelizmente, essa problemática se torna cada vez mais preocupante, uma vez que essa imagem estereotipada afirma ainda mais uma sociedade capacitista.

Destarte, após observar a realidade apresentada, são improrrogáveis ações governamentais. Nesse sentido, o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Educação, órgão responsável pelo ensino, deverá redefinir as políticas públicas relacionadas às palestras nas instituições de ensino. Essa ação será realizada em parceria com a mídia, por meio de campanhas escolares, que serão transmitidas na televisão, abordando questões capacitistas e explicando sobre falas e pensamentos problemáticos, visando diminuir o preconceito, a desinformação e também a representação problemática da mídia. Dessa forma, problemas como o presente em “Hoje eu não quero voltar sozinho” serão amenizados.