Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 28/05/2021

Na trama da série televisiva, “Game of thrones”, Tyrion Lanister, um nobre com capacidade intelectual e habilidade política excepcionais, é constantemente subestimado e ridicularizado por seu reino e sua própria família simplesmente por ser anão. Paralelamente, na realidade, o capacitismo - preconceito e discriminação contra pessoas com deficiência - é um problema grave no Brasil. Esse tem como principal causa a criação de padrões ideais para o corpo humano e a rejeição por parte de muitos quando se subverte tais expectativas, gerando efeitos negativos para as vítimas. Sendo assim, deve-se ampliar a discussão sobre essa questão, a fim de encontrar caminhos para solucioná-la.

De início, cabe analisar as origens do capacitismo. Segundo Francis Bacon, filósofo inglês da fase moderna, na sociedade existem ídolos, que são preconceitos e noções enganosas criadas pelo homem, que o impedem de enxergar a realidade como ela é. Na prática, essa tendência a um pré-julgamento equivocado pode ser observada quando algumas pessoas associam um característica isolada, como não ouvir, não falar ou não poder andar, a um todo incapaz. Entretanto isso é problemático, pois, apesar de não se encaixar em um padrão corporal ou neurológico definido socialmente, a pessoa com essas ou outras deficiências é um ser humano como os demais, com suas dificuldades e aptidões particulares, e portanto, não deve ser mal tratado ou rejeitado no meio social.

Ademais, é válido destacar as consequências dessa mazela. Um exemplo relacionado a esse comportamento, quando levado ao extremo, foi a perseguição nazista, na década de 1930, àqueles que pudessem ameaçar a “pureza” da raça ariana. Nesse contexto, deficientes foram enviados a campos de concentração. Na atualidade, o capacitismo ainda afeta significativamente a vida de suas vítimas, que têm de lidar com a falta de informação das pessoas, de acessibilidade nos espaços, além de piadas e ofensas gratuitas. Tudo isso pode gerar tanto dificuldades para conseguir emprego, se deslocar e se adequar a ambientes mal equipados, quanto danos à saúde mental, já que muitas podem desenvolver traumas, medos e ansiedade diante dos desafios que enfrentam no convívio social.

Logo, é essencial desconstruir os esteriótipos e preconceitos sobre as pessoas com deficiência e assim controlar os prejuízos causados por eles. Para tanto, o Ministério da Educação deve investir em programas que ampliem a informação sobre o capacitismo, objetivando esclarecer dúvidas sobre as histórias, características e dificuldades de quem o vivencia. Isso deve ser feito por meio de eventos nas escolas, com palestras e exibição de filmes e documentários sobre o assunto. Assim, toda a sociedade ganhará com a formação de uma geração mais consciente e disposta a enxergar nessas pessoas não só as suas deficiências, mas também habilidades extraordinárias como as do personagem da série.