Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 01/06/2021

Na série de desenho animado “X-men: Evolution”, é apresentada a história de jovens heróis, que considerados deficientes e incapazes de conviver socialmente, foram acolhidos pelo Instituto Xavier, que os aceitava e valorizava seus potenciais. Diferente do tratamento tido pelo Instituto na série, hodiernamente, observam-se atitudes preconceituosas por parte da população brasileira em relação às pessoas com deficiência -o que se configura capacitismo-. Nesse sentido, convém a análise das principais causas dessa problemática, que é evidenciada, não só pela ausência de políticas educacionais, como também pela influência midiática.

Em primeira análise, é importante ressaltar que a ausência de abordagem nas escolas brasileiras sobre a questão é decisiva para sua manutenção. Pois ainda se é priorizado, apenas, o ensino de matérias, de modo a deixar de lado a conscientização sobre temas tão importantes quanto o capacitismo e suas maléficas consequências à sociedade. Dessa forma, de maneira semelhante ao pensamento do filósofo Immanuel Kant, quando ele diz que o homem é que a educação faz dele, um indivíduo isento do conhecimento acerca da crucialidade do respeito ao próximo -independente de suas diferenças-  nas relações humanas, estará sujeito a ter atitudes capacitistas.

Ademais, é fundamental apontar o papel das mídias na perpetuação dessa mazela. Visto que ainda se é retratado nos filmes, novelas e programas televisivos a imagem de um corpo perfeito, como sendo um corpo malhado e sem deficiências. Desse modo, essa realidade conversa com a crítica feita pelo filósofo Theodor w. Adorno, a respeito de como os meios de comunicação, priorizando o lucro, criam padrões estéticos que influenciam na visão social sobre o que é tido como perfeito ou imperfeito, na medida em que, sob a influência desses meios, pessoas sem deficiência passam a enxergar pessoas nessas condições como imperfeitas, e, consequentimente, discriminam-as.

Depreende-se, portanto, a necessidade da imposição de medidas que atenuem o capacitismo no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação, deve, por intermédio de palestras nas escolas, ministradas por profissionais da Psicologia e Sociologia que discorram sobre a importância do respeito às diferenças e as consequências da não existência dele na mente humana e na sociedade como um todo, promover um pensamento empático e respeitoso na população desde sua formação. Além disso, as Grandes Mídias, devem, por meio da contratação de mais pessoas deficientes, promover mais representatividade. Dessa forma, espera-se a consolidação de uma sociedade mais empática e respeitosa, tal como foi o Instituto Xavier.