Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 29/05/2021

Durante o século XIX, uma das diversões nas ruas de Paris era o “Teatro de Aberrações”, em que portadores de deficiência física ou distúrbios mentais eram tristemente expostos nos passeios públicos como forma de “diversão” ao público. Hodiernamente, apesar dos avanços sociais significativos, o capacitismo ainda é um infortúnio proeminente no Brasil. Desse modo, é crucial analisar não somente os efeitos negativos do pensamento baseado no senso comum, mas tambem os fatores que atuam na perpetuação dessa situação lamentável.

Precipuamente, convém salientar que, segundo o sociólogo alemão Wilhelm Heitmeyer, cidadãos são discriminados não por sua conduta individual, e sim por pertencerem a um grupo. Sob esse viés, constata-se que nos segmentos sociais diversos, incluindo o próprio âmbito familiar, simplesmente por ser portador de alguma limitação física ou mental, o indivíduo é subestimado quanto sua capacidade de ter uma vida independente e poder estudar, trabalhar e até mesmo viver em sociedade. Por conseguinte, é comum a falta de autoestima entre os portadores de deficiência, uma vez que estes encontram barreiras graves que dificultam seu cotidiano e sua ascenção social.

Outrossim, é indubitável que as brechas legislativas no que concerne aos direitos dos deficientes atuam a perpetuação da problemáica. Acerca dessa premissa, nota-se a refutação do princípio estabelecido pelo político norte-americano Thomas Jefferson, segundo o qual a aplicação de uma lei é mais importante que a sua criação. A título de ilustração, é mister citar que apesar de a Lei 13.146/2013 grantir o acesso irrestrito dos deficientes à escola e ao mercado de trabalho, tal direito, infelizmente, não tem sido a realidade de uma parcela significativa desse público, visto que os deficientes encontram barreiras sociais e de acessibilidade em seu cotidiano.

Diante dos fatos, é imprescindível que o Ministério da Educação, por meio das escolas de nível fundamental e médio, atue de modo a mitigar essa situação lamentável e persistente em nosso país. Para tanto, devem ser contrataos psicólogos e portadores de deficiência física para a realização de palestras que estimulem o respeito e a importância dos direitos iguais para os deficientes, além de atividades lúdicas que despertem a resiliência naqueles que possuem algum tipo de limitação, incitando-os acerca da importância de lutar pelos seus direitos. Tais medidas visam aniquilar a visão preconceituosa -ainda que de foma sutil- da realidade brasileira acerca do status social do deficiente e, dessa maneira, ratificar a função das leis, assim como proposto por Thomas Jefferson.