Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 05/06/2021

Na série “The Good Doctor”, transmitida pela Globo Play, é retratado a realidade de um médico autista, Shaun Murphy, residente de cirurgia geral. Ao longo da trama, é retratado a necessidade dele em provar a seus colegas e pacientes sua capacidade de atuação. Fora da ficção, fica claro que a realidade apresentada na série pode ser relacionada aos desafios para o combate ao capacitismo no país, pois há empecilhos na sociedade para aceitação da capacidade dos deficientes em terem uma vida normal, como por exemplo, a educação de base lacunar, também a escassez dessas pessoas no meio midiático.

Em primeira análise, a lacuna na base da educação mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. Segundo o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve, sendo assim, se há falhas na educação desde a infância, essas escolas não têm cumprido seu papel no combate ao capacitismo, pois é na sala de aula que deve-se ensinar a inclusão, respeito e empatia com o próximo. Dessa forma, faz-se necessária uma reestruturação do ensino básico, para começarem a mudança na mentalidade social com relação aos PcDs.

Além disso, a falta de representatividade midiática de PcDs contribui para a permanência do pensamento capacitista na população.  Segundo a poetisa Rupi Kaur, a representatividade é vital. A autora ilustra sua tese fazendo alusão a uma borboleta que tenta ser mariposa por estar rodeada delas. Com relação ao desafio para combate ao capacitismo, a lacuna na representação não está sendo encarada pelas autoridades, sejam governamentais, sejam da mídia, como um empecilho para a resolução da problemática. Sendo assim, deve-se incluir deficientes nos programas de televisão, seja ele esportivo, jornalístico, para que haja mudança na visão da sociedade e eliminação do juízo de valor aos PcDs.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Logo, urge que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, adotem mudanças na base curricular do ensino fundamental de todas as escolas do país, incluindo a matéria nominada de “Somos todos Iguais”, ensinada por pedagogos, com o intuito de mostrar o cotidiano de PcD’s, para que entendam a capacidade igualitária dessas pessoas na realização de atividades cotidianas. Ademais, o Ministério das Comunicações, em conjunto com as redes de televisão brasileira, devem incluir jornalistas, comentaristas esportivos e atores PcDs em suas programações, influenciando assim na visão da sociedade e impactando-as com a atuação desses profissionais em áreas de influência.