Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 16/06/2021
Kiera Allen foi a primeira atriz cadeirante em décadas a estrelar um filme de suspense, Fuja, produzido pela plataforma da Netflix. Com isso, a atriz rompe com estigmas relacionados a pessoas com quaisquer deficiências e combate, consequentemente, o capacitismo, demonstrando que esse grupo minoritário não é inferior a qualquer outro grupo social e possui o direito de ocupar espaços sociais. Não obstante, a luta contra a discriminação e marginalização de indivíduos com deficiências físicas ou mentais encontra diversos empecilhos atualmente, os quais têm origens em teorias eugênicas e são potêncializados pela falta de representatividade na mídia.
A princípio, a eugenia se caracteriza por diversas ideias e práticas que almejam a melhoria da genética da população, excluindo, assim, indivíduos com características consideradas inferiores. Para tanto, 30 estados dos Estados Unidos, durante a segunda década do século XX, aprovaram a castração de portadores de deficiências, por exemplo. Tal medida e outras diversas similares, apesar de terem sido proíbidas veementemente, sequenciaram em comportamentos capacitistas, os quais se perpetuam até os dias atuais e se manifestam quando condições como autismo ou retardo mental são utilizados como xingamento. É fundamental, desse modo, refletir a respeito de preceitos eugênicos e seus impactos.
Ademais, Guy Debord, em sua obra “A Sociedade do Espetáculo”, aborda sobre a dominação por imagens a partir do advento da televisão e, consequentemente, da indústria cultural. Conforme Debord, os telespectadores assistem a um programa televisivo e buscam reproduzí-lo, de modo a confundir ficção com realidade. Nesse sentido, ao perceberem somente grupos sociais sem deficiências na televisão, os indivíduos colocam as características apresentadas como padrões a serem seguidos, aspecto que acarreta uma inferiozação de cadeirantes, surdos, mudos, cegos, entre outros, bem como a ideia de que estes são infelizes. É evidente, logo, a necessidade de uma maior representatividade de pessoas com deficiências da “indústria cultural”, demonstrando uma realidade total e fiel da sociedade. Portanto, é de suma importância mitigar o capacitismo tão presente atualmente. Para isso, a mídia não só deve promover debates acerca da inclusão de indivíduos com deficiência nos espaços sociais, como também deve buscar representar tais pessoas em propagandas, novelas e diversos outros programas televisivos, a fim de desmarginalizá-los, respeitá-los e compreender suas existências, além de retratar a sociedade em sua totalidade. Por conseguinte, haverá o entendimento de que os seres são plurais e díspares e de que, apesar disso, todos eles devem ser tratados de maneira igualitária para uma harmonia social.