Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 10/06/2021
Na série ‘‘American Horror Story: Freak Show’’ é retratada a história de personagens cuja deficiências físicas são usadas como show de ‘‘aberrações’’ em um circo para entreter o público sem um mínimo de empatia. Fora da ficção, é fato que a história representada no seriado americano pode ser relacionada aos desafios para o combate ao capacitismo, uma vez que a discriminação e a violência contra pessoas portadoras de deficiências é algo hierárquico que perdura na contemporaneidade. Desse modo, como forma de atenuar a problemática do capacitismo no Brasil, cabe analisar a falha educacional em prol da igualdade coletiva, como também a exclusão social sofrida por essa parte da sociedade.
Primordialmente, pontua-se que existe uma certa imprecisão na educação brasileira no que diz respeito à política de anticapacitismo, pois é muito comum que crianças com deficiência tenham experiências conturbadas na escola, tanto bullying como exclusão das atividades recreativas e pedagógicas, isso se deve a falta de programas educacionais com ênfase em diferenças sociais, como também a falta de acessibilidade arquitetônica que impossibilita a inclusão social. Prova disso são dados atuais do Censo Escolar, mostrando que apenas 26% das escolas públicas são acessíveis aos portadores de deficiência. Assim faz-se notória a máxima do filósofo Sêneca, de que a educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida.
Segundo o artigo 4º da Lei Brasileira de Inclusão (LBI) ‘’toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades como as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação’’. Entretanto, esse direito encontra-se deturpado à medida que a exclusão social sofrida por estes não foi extinguida. Exemplo disso, é a quantidade de deficientes com vínculo empregatício, pois somente 1% das pessoas com deficiência no Brasil tem trabalho de carteira assinada, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais(Rais). Dessa maneira, fica evidente a discriminação às diferenças, causando a exclusão de profissionais capacitados apenas por se distinguirem.
Portanto, medidas devem ser tomadas para atenuar a problemática. É preciso que o Ministério da Educação reforce, por meio de verbas governamentais, as políticas de inclusão nas escolas, capacitando os professores e inovando programas educativos que ensinem os alunos a conviverem e respeitarem as diferenças. Ainda, é necessário o investimento do Ministério da Infraestrutura na acessibilidade arquitetônica das escolas e dos espaços públicos, como forma de viabilizar a locomoção. Também, faz-se essencial que a Lei de Cotas para Deficientes aumente a obrigação da porcentagem destes nos ambientes de trabalho, para que essas pessoas possam trabalhar sem serem desqualificadas apenas por suas deficiências. Assim, a realidade se distanciará do seriado americano.