Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 10/06/2021

Na obra cinematográfica “A Teoria de Tudo” é retratada a trajetória do astrofísico Stephen Hawking, portador de uma doença motora degenerativa, que fez descobertas relevantes para a comunidade científica. No filme, fica clara a dificuldade do cientista em obter respeito e reconhecimento profissional devido ao preconceito sofrido. De maneira análoga, a discriminação contra pessoas portadoras de deficiências ainda é uma questão problemática no Brasil, acentuada pelo descaso social e governamental.

Em primeira análise, é necessário ressaltar os preconceitos enfrentados por pessoas com limitações em seu cotidiano. Segundo dados do IBGE, cerca de 12,7 milhões de pessoas possuem alguma deficiência e, desse total, apenas 1% ocupa vagas no mercado de trabalho formal. Além da dificuldade de inserção profissional, pessoas com deficiência também sofrem com a falta de conscientização e acessibilidade em espaços públicos, sendo desafiadas diariamente por barreiras arquitetônicas e julgamentos enraizados no corpo social.

Diante desse cenário, fica evidente a relação entre a persistência do problema e a falta de políticas públicas e educacionais. Consoante ao investimento mínimo na garantia de direitos básicos de pessoas deficientes, a carência de discussões em escolas e espaços culturais torna-se um fator preponderante para a perpetuidade do entrave, uma vez que grande parte da população encara a questão como um tabu e não reconhece a violência direcionada ao grupo. Nesse sentido, é conveniente apresentar a tese da filósofa Simone de Beauvoir sobre a Invisibilidade social, que diz respeito ao processo de apagamento e marginilização de grupos sociais excluídos.

Fica claro, portanto, que medidas devem ser tomadas para mitigar a problemática. Assim, é função do Governo Federal, por meio de legislações do Estatuto da Pessoa com Deficiência, garantir que os direitos básicos de pessoas com limitações sejam contemplados, a fim de oferecer qualidade de vida. Ademais, é dever do Ministério da Educação promover campanhas educacionais em escolas e plataformas sociais e digitais, com o objetivo de conscientizar a população geral acerca dos males do capacitismo. Dessa forma, será possível que o capacitismo deixe de ser uma realidade no Brasil.