Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 17/06/2021
Wheelchair Rapunzel é um perfil no Instagram pertencente a uma influenciadora digital com deficiência. Frequentemente, suas publicações abordam a forma como o capacitismo é presente na sociedade. No entanto, apesar da importância de trazer os temas à tona, o perfil é alvo de ataques. Uma das possíveis explicações para esse fenômeno, é a falta de representatividade de pessoas com deficiência pela mídia. De fato, segundo o jornal “Independent”, no Reino Unido apenas cinco por cento dos programas fazem dos deficientes os protagonistas. No Brasil, o número talvez seja até menor. Dessa forma, é possível enxergar a representação como a maior aliada na luta contra o capacitismo.
Uma das comediantes mais famosas do país é a Pequena Lô. Como o próprio nome artístico já demonstra, Lorraine Silva sofre de uma síndrome que faz com que seus membros sejam curtos e com que ela precise de muletas para a locomoção. Devido à quantidade de seguidores, ela foi chamada para ser capa da revista “Quem”. Uma das respostas à matéria da revista, que foi publicada pela própria Lorraine em seu perfil, veio por parte de uma mãe agradecendo pela a reportagem que havia emocionado o filho, também deficiente. Ou seja, a valorização de uma pessoa deficiente pode atingir outras pessoas na mesma situação. Porém, ainda assim, é um desafio encontrar na mídia celebridades como a Pequena Lô.
Não obstante, Dea Schwarz é uma das ativistas brasileiras contra o capacitismo mais conhecidas. Seu objetivo é mostrar como pessoas em cadeiras de rodas vivem. No entanto, assim como ocorreu com Wheelchair Rapunzel, suas publicações não são reconhecidas como legítimas pelas redes sociais. Devido ao fato de corpos deficientes não pertencerem ao padrão, os algoritmos desses sites apagam as fotos e textos porque não foram programados para autenticá-los, como demonstrado pelo jornal “The Intercept”.
Portanto, a mídia, através da criação de grupos compostos por minorias, deve investir na visibilidade dos deficientes com a finalidade de alcançar e educar, quanto aos problemas do capacitismo, o público geral. Dessa forma, será possível contribuir para uma melhor convivência na sociedade brasileira.