Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 18/06/2021
O filósofo prussiano Imannuel Kant defende que todas as pessoas devem ser valorizadas e tratadas com dignidade. Entretanto, observa-se, na atual realidade brasileira, a crescente prática do capacitismo, isto é, atos preconceituosos contra pessoas com deficiência, o que demonstra uma falta de valorização e respeito que ainda cerca essa massa social. Nesse sentido, devido à insuficiência legislativa presente na questão e à má atuação da mídia, emerge um desafio coletivo.
Em primeiro plano, verifica-se, por parte do Estado, a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas no combate a essa problemática. A esse respeito, a Declaração Universal das Nações Unidas de 1948 afirma o pleno direito de manutenção do respeito entre povos de uma mesma nação. No entanto, atesta-se que o cumprimento dessa norma encontra-se, muitas vezes, deturpado, tendo em vista a continuidade de ações violentas praticadas com os portadores de deficiência, as quais propagam visões discriminatórias e inferiozadas. Diante disso, seja pelo pouco estímulo governamental em alterar a mentalidade coletiva, que ainda rotula uma imagem de incapacidade dos deficientes, seja pela ausência de punição efetiva contra os que violam os indivíduos estigmatizados, o capacitismo irá encontrar terreno fértil na onipotência estatal da sociedade brasileira.
Além disso, destaca-se que o deficitário posicionamento das mídias sociais atua perpetuando o problema discorrido. Diante disso, o filósofo Pierre Bourdieu alega que aquilo destinado a ser democrático não pode ser mercanismo de opressão e discriminação. Nessa lógica, percebe-se que os canais comunicativos, por vezes, veiculam uma visão negativa e capacitista dos que possuem deficiências não somente na utilização massiva de nomes ofensivos para se referir a esses indivíduos inferiozados em comentários e publicações em redes sociais, mas também na criação de séries e filmes, por parte da mídia de entretenimento, que desvalorizam os deficientes e tratam-os como personagens inferiores e sujeitos a uma submissão coletiva.
Portanto, torna-se fulcral o combate ao capacitismo no Brasil. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação, associado ao Ministério da Justiça, formular uma campanha humanitária que evidencie o impacto negativo do preconceito contra os deficientes, por meio do relato anônimo de vítimas dessa violação social, o qual deve elucidar a população acerca da gravidade desse entrave, a fim de diminuir os estereótipos e estigmas que contornam esses indivíduos. Ademais, essa ação deve ser acompanhada da sua divulgação nas mídias sociais, como o Instagram, para que se altere a maneira de pensar nessa situação. Assim, o postulado por Kant, possivelmente, será verificado na realidade brasileira.