Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 06/07/2021

A Constituição Federal promulgada em 1988, prevê a todos os seus cidadãos o pleno direito da inclusão, de estar e de ir e vir. No entanto, na realidade, tais garantias são deturpadas. Segundo o site de informações G1, o Brasil possui cerca de 14 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, em contraposto, em todo país, menos de 5% dos locais são para elas acessíveis. Essa situação nefasta ocorre não somente pelo olhar capacitista da sociedade, mas também pela ausência de políticas públicas advindas do governo no combate a este.

Diante desse cenário, torna-se importante ressaltar como a imagem deturpada por décadas em relação a pessoas com deficiência, somam em grande parte para essa problemática. Na série Special da Netflix, um jovem com paralisia cerebral que tenta trabalhar como redator para um jornal, enfrenta constantemente os olhares de dúvida em relação a sua capacidade, e se vê na necessidade de desconstruir diariamente o pensamento que por tanto tempo foi alimentado em relação a sua deficiência e também de outras pessoas. De forma análoga, na realidade do Brasil o mesmo acontece e é evidenciado através da luta diária dessas pessoas contra o capacitismo, na qual elas tentam comprovar que o fato de conviverem com alguma deficiência, não as torna incapazes, e a única coisa impedindo a sociedade de enxergar isso, e a discriminação. Desse modo, é notório apontar que o pensamento capacitista impregnado são os reais limitantes para integração sem segregação dessas pessoas, algo que precisa urgentemente ser mudado.

Paralelo a isso, tem-se a falta de intervenções governamentais que trabalhem em prol do combate ao capacitismo e na inclusão destas pessoas para além do que é visto hoje. Em consonância com o sociólogo Hugo Martins, é hora de perceber que as linhas de acessibilidade vão para muito além de apenas uma rampa em edifícios ou um interprete na tv, pois isso são apenas alternativas que não fazem parte de um real plano de universalizar um caminho para a participação de pessoas com deficiência  de forma real. De tal maneira, é possível dizer que  ao negligenciar e não promover de forma ativa o fim dessa situação, o Estado está indo contra as palavras de sua própria Carta Magna.

Depreende-se, portanto, a necessidade do governo em fornecer ferramentas viáveis a essa luta, por intermédio de parcerias público-privadas, com o aumento de cotas nas empresas, universidades e a introdução em todas as escolas de professores especializados que promovam o acolhimento e criem debates sobre a importância do respeito à diversidade, com a presença de alunos, pais, e outros membros da comunidade. Espera-se, com essas ações, combater o capacitismo em alguns dos seus principais focos, e fornecer ainda na educação básica uma opotunidade para um futuro de olhar inclusivo.