Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 25/06/2021
No livro “Feliz Ano Velho”, de Marcelo Rubens Paiva, é retratada a própria vida do autor, o qual sofreu um acidente que o deixou tetraplégico e precisa enfrentar o preconceito devido a sua situação física. Nesse sentido, tal premissa se faz relevante, uma vez que o capacitismo é uma triste realidade vivida no Brasil. Logo, é de suma importância analisar os desafios para combater esse fato: a mentalidade social e o despreparo governamental.
De início, convém enfatizar que o modo de agir da sociedade é um grande empecilho para se combater a discriminação contra cidadãos com deficiência. Nessa ótica, é válido relembrar o famoso ocorrido com a surfista Bethany Hamilton: no início de sua carreira, perde, em um ataque de tubarão, um de seus braços. Nesse contexto, a maioria das pessoas ao seu redor já desconsideraram, mesmo que sem nem tentar, a possibilidade de a moça seguir no meio. No entanto, Bethany não se importou com os pensamentos negativos e conseguiu se tornar uma surfista extraordinária. Portanto, lamentavelmente, nota-se que essa realidade está intrinsecamente ligada ao Brasil, em que a própria comunidade se mostra como uma grande vilã ao combate contra o capacitismo, já que dificulta a inserção desse público na sociedade, o que ocasiona a exacerbação da exclusão social.
Ademais, a falta de atuação governamental eficiente é mais um dos fatores que agravam a discriminação contra deficientes. Desse modo, conforme Gilberto Dimenstein - autor da obra “O Cidadão de Papel” -, diversos brasileiros são, na prática, privados do acesso a uma vida digna. Sob esse viés, percebe-se que tanto a presença de agressões físicas ou verbais quanto a falta de estruturas concretas, as quais são essenciais para a locomoção da maioria desse público alvo, já mostram a ineficiência governamental, dado que, segundo a Constituição de 1988, todos os indivíduos deveriam ter acesso a uma boa qualidade de vida. Assim, verifica-se que, infelizmente, mesmo após avanços sociais, como a Constituição Cidadã, ainda há uma deficiência no tratamento equivalente para todos os cidadãos, haja vista que os direitos dos deficientes, no Brasil, estão presentes apenas no papel.
Depreende-se, pois, que o combate ao capacitismo no Brasil apresenta uma gama de entraves. Destarte, urge que o Estado, por meio da criação de um novo órgão governamental, fiscalize e puna quaisquer atos que violem os direitos constitucionais das pessoas com deficiência. Em outros termos, será criado o Ministério de Apoio ao Deficiente, o qual será responsável por assegurar que os deficientes usufruam de seus direitos como cidadãos. Nesse ínterim, o intuito de tal medida é amenizar os casos de preconceito e violência contra esse público alvo. Feito isso, a sociedade, aos poucos, passará a tratar todos os brasileiros da mesma forma, o que enaltecerá a alteridade social.