Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 21/07/2021

No filme “Como eu era antes de você”, é retratada a história de Will, um jovem que fica tetraplégico após um acidente e se torna depressivo com o passar do tempo. Fora da ficção, há cidadãos que se encontram na mesma situação do personagem, já que sofrem com o capacitismo (discriminação contra pessoas com deficiência). Tal cenário é facilmente observado, visto que o ideal de capacidade funcional do corpo ainda é amplamente difundido na sociedade. Esse fato traz desafios ao combate desse tipo de discriminação, como a falta de conscientização sobre a importância da inclusão e da acessibilidade e tem como principal consequência o surgimento de emoções negativas, como depressão, nas vítimas.

Primeiramente, é importante ressaltar que a falta de conscientização sobre a importância da inclusão e acessibilidade está diretamente relacionada ao ideal de capacidade funcional do corpo difundido na sociedade. Isso porque essa forma de hierarquização das pessoas fomenta a consequente “invisibilidade” daqueles que não se categorizam como “normais”, causando o deficit de inclusão desses cidadãos. De acordo com uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a maioria das prefeituras não promove políticas de acessibilidade para pessoas com deficiência. Sendo assim, torna-se claro que o ideal capacional do corpo humano afeta diretamente a vida dos invisíveis.

Ademais, salienta-se que a principal consequência dos esteriótipos criados, que causam o capacitismo, é o surgimento de emoções negativas nas vítimas. Isso se explica pelo fato de que a falta de políticas públicas para essa parte da população suscita a inevitável exclusão social, o que gera, por sua vez, sequelas. Segundo o escritor Nelson Rodrigues, o indivíduo tem a tendência de se sentir inferior a tudo que é diferente dele, tal cenário é denominado de “complexo de vira-lata”. Dessa forma, a falta de inclusão pode gerar o “complexo de vira-lata” na pessoa, o que pode estimular o aparecimento de distúrbios mentais, como a depressão.

Portanto, tornam-se necessárias medidas que solucionem as problemáticas apresentadas. Em primeiro lugar o Governo deve promover políticas de acessibilidade por meio do direcionamento de verbas para a reforma de áreas públicas, com o fito de tornar o acesso de deficientes a esses lugares mais fácil e diminuir os efeitos do ideal capacional do corpo. Em segundo lugar, é dever do Ministério da Saúde amenizar as consequências da exclusão social mediante  assistência psicológica gratuita às pessoas que sofrem com a “invisibilidade” e com o “complexo de vira-lata”, tendo como objetivo diminuir as chances do aparecimento de distúrbios mentais. Quiçá, dessa maneira, os desafios no combate ao capacitismo deixem de existir e que essa prática seja exterminada.