Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 02/07/2021

Jean-Jacques Rousseau, filósofo renomado do iluminismo, afirmou em sua obra ‘’A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e o torna-o miserável’’. Para o teórico político, o homem é bom de natureza, mas a vida em sociedade corrompe sua bondade fazendo com que sejam ruins e preconceituosos uns para com os outros. Nesse contexto, é possível estabelecer uma relação entre o capacitismo praticado pelo homem associado aos portadores de deficiências e a sua natureza perversa em sociedade. Desse modo, tem-se o estigma negativo em relação às deficiências e a falta de inclusão dos deficientes como as principais causas desse quadro.

Diante disso, é válido destacar que o estigma negativo relacionado às deficiências é um desafio para o combate ao capacitismo no Brasil. Isso se explica, pois segundo a teoria de violência simbólica de Pierre Bourdieu, aqueles que vivem em sociedade tendem a atacar as pessoas por características específicas que se distam de um padrão pré-estabelecido, sendo uma forma de coação excludente e discriminatória. Nesse contexto, o portador de deficiência (PcD), é visto como diferente por sua limitação física ou mental, sendo dessa forma, vítima de preconceito e considerado inábil para realizar atividades comuns como cursar uma faculdade, estabelecer relacionamentos ou ter acesso a empregos condizentes com sua capacidade, apenas por não se encaixar em um retrato imposto pela sociedade.

Além disso, a falta de inclusão do PcD em várias instâncias do coletivo atual é um dos problemas no combate ao capacitismo no país. Posto isso, na história do Egito Antigo, todas as crianças que nasciam com deficiências físicas eram jogadas em um rio, a fim de salientar sua inutilidade para a civilização como cidadão. Nessa conjuntura, é visível que a exclusão e intolerância para com as pessoas com necessidades especiais possui origens históricas e culturais, que perduram até os dias de hoje e deixam essas pessoas à margem da sociedade devido a falta de ideais inclusivos que possibilitem que todos os portadores de deficiências possam exercer sua cidadania e ter vida plena.

Portanto, cabe às mídias, como principais agentes formadores de opinião, em parceria com o Ministério da Cidadania, promover a inclusão das pessoas com deficiência, por meio de campanhas televisivas educativas que visem a compreensão e o respeito das diferentes deficiências, com o objetivo de promover a representatividade e inclusão dessas pessoas na sociedade, além de desconstruir os estigmas que as rodeiam e o capacitismo.