Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 05/07/2021
Na série estadunidense “The Good Doctor”, um médico autista tem sua capacidade profissional questionada diversas vezes por pacientes e colegas de trabalho, por conta da sua deficiência . Embora ficcional, essa obra pode ser diretamente relacionada com o capacitismo existente no Brasil, em que pessoas com necessidades especiais tem suas habilidades colocadas à prova constantemente. Isso é causado tanto pela desinformação em relação aos diversos tipos de deficiência e suas “limitações” acarretando discriminação, quanto pela falta de inclusão e representatividade de deficientes na sociedade.
Nesse contexto, é necessário salientar que o Governo têm a função de garantir a inclusão social e dignidade de pessoas com deficiência (PcD) nos mais diversos lugares do país, assim como previsto na Constituição Federal de 1988. Porém, esse direito está sendo violado, visto que portadores de necessidades especiais são vistos pela sociedade como “aberrações” incapazes de realizar qualquer atividade considerada “normal” para não deficientes. Tal pensamento discriminatório pode ser explicado pelo fato de que a questão sobre o capacitismo é pouco falada no Brasil tanto na mídia, quanto nas escolas, lugares públicos, etc., e quando debatida, a PcD sempre é colocada numa posição de “pobre vítima” ou tem suas condições romantizadas sendo retratada como “herói”, deixando de lado todas as dificuldades que uma pessoa deficiente passa no Brasil.
Consequentemente, as PcDs sofrem por diversos obstáculos como por exemplo a discriminação e constrangimento em lugares públicos, falta de acessibilidade e até mesmo dificuldade em encontrar trabalho. De acordo com pesquisa realizada pelo Grupo Croma, 71% das PcDs entrevistadas acreditam que as empresas têm preconceito em contratar pessoas com deficiência e 32% já sofreram discriminação por apresentar alguma deficiência. Esses dados são preocupantes e evidenciam o desamparo do Governo com portadores de necessidades especiais, que têm seus direitos restringidos em diversas áreas da sociedade.
Portanto, a fim de combater o capacitismo no Brasil, é necessário que a mídia crie campanhas que provoquem a empatia no olhar do leitor/telespectador sobre o capacitismo enfrentado por pessoas com deficiência. Isso pode ser feito por meio de propagandas na televisão aberta em horário nobre (para garantir maior audiência) e, dessa forma, garantir que as PcDs tenham seus direitos expressados de forma plena e digna.