Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 05/07/2021

O grande filósofo Aristóteles - na Grécia Antiga - definiu o conceito “Isonomia”: característica de assegurar às pessoas oportunidades iguais, considerando suas condições diferentes. Todavia, mesmo após centenas de anos, essa ideologia aristotélica não alcança todos os brasileiros, sobretudo em áreas que o capacitismo é a norma. Com efeito, a falta de atuação governamental e o preconceito exacerbado dificultam o tratamento igualitário no Brasil.

Diante desse cenário, a discriminação contra pessoas com deficiência evidencia, hodiernamente, a omissão do Estado. Acerca disso, José Saramago - autor da obra “Ensaio sobre a Cegueira” - revelou, através de uma analogia, a grave doença da contemporaneidade: a cegueira dos indivíduos frente aos problemas sociais. Nesse viés, a “patologia” evidenciada por Saramago se mostra presente no cotidiano dos brasileiros e se manifesta na ausência de atitudes governamentais eficazes, na medida em que excluem os deficientes da sociedade, já que lhes negam estruturas de mobilidade adequadas - rampas, por exemplo - e não lhes asseguram um tratamento social digno. Assim, enquanto a “cegueira” do Estado se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com o capacitismo.

Ademais, para que o tratamento igualitário transforme o Brasil, o preconceito deve dar lugar à alteridade. Nesse sentido, percebe-se que o modelo de sociedade atual se assemelha com Esparta, antiga pólis grega, a qual marginalizava qualquer cidadão que apresentasse características, segundo esse povo, fora do “padrão”. Ocorre que essa amalgamação entre brasileiros e espartanos fere a Isonomia aristotélica, haja vista que a sociedade julga e agride, de forma mental e de maneira física, os homens e as mulheres com deficiência ao invés de lhes ajudar a superar os obstáculos e o preconceito. Além disso, não há como reivindicar melhorias na comunidade quando o próprio meio se posiciona contra o indivíduo. Logo, enquanto a discriminação do, supostamente, “diferente” for a regra, a alteridade será a exceção.

Para que os desafios contra o capacitismo, portanto, sejam combatidos, o Estado deve abandonar a passividade e se tornar ativo na luta contra as manifestações marginalizadoras, por meio de projetos pedagógicos, como campanhas e oficinas socias, que, respectivamente, incentivem a população a exercer o espírito de alteridade e que construam estruturas que incluam os deficientes na sociedade, como rampas e elevadores. Essa iniciativa poderia se chamar “Colírio Social” e teria a finalidade de erradicar as discriminações sociais, de sorte que a “Cegueira”, tanto do Estado quanto da população, deixe der ser - em breve - um entrave para o progresso do Brasil.