Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 06/07/2021

Em Esparta, ao nascer, as crianças eram examinadas e caso tivessem alguma deficiência elas eram jogadas de um penhasco, já no século 19 os deficientes eram exibidos em shows de aberrações. Por esses motivos, perdurou-se uma cultura capacitista, na qual os PcD’s (pessoas com deficiência) eram vistos como inválidos e dignos de pena. Assim, é licito afirmar que a falta de inserção social no mercado de trabalho e a falta de representatividade na mídia são os maiores obstáculos ao combate ao capacitismo.

Atualmente, verifica-se que, apesar de na Constituição de 1988 estarem previstas leis de beneficio aos portadores de deficiência, como vagas preferenciais, elas são, na maioria das vezes, infringidas e isso é só a ponta do Iceberg. De acordo com uma pesquisa feita pelo IBGE em 2015, apenas 1% dos deficientes brasileiros está no mercado de trabalho e muitas empresas não só tem relutância em contratá-los como preferem pagar multas pela falta deles. Portanto, fica claro que ainda há a ideia de que PcD’s não podem ser bons profissionais e, apesar de existentes, as leis de cotas não são rigidamente fiscalizadas e punidas, criando mais uma barreira para a inclusão dessas pessoas.

Além disso, dificilmente encontram-se boas representações de pessoas deficientes em obras da sétima arte. Seja em um filme, seja em uma novela ou propaganda, quase sempre são retratadas de forma deprimente, dependente ou então de uma forma não-natural. Geralmente, a deficiência é colocada como um traço de sua personalidade, com se toda a essência do indivíduo se resumisse àquela condição. Dessa forma, a mídia se fecha para a possibilidade de explorar novas jornadas de tais indivíduos e mais uma vez reforça e enraíza o capacitismo na sociedade.

Por conseguinte, com a falta de inclusão profissional, fica claro que o Ministério do Trabalho deve enrijecer a fiscalização sobre as empresas e aumentar progressivamente o valor das multas aplicadas, forçando as empresas a aumentarem o número de PcD’s no mercado de trabalho. Por outro lado, ao notar o estigma criado por elas mesmas, em longo prazo, é necessário que as organizações midiáticas se conscientizem a respeito do papel do deficiente na sociedade, reparando seu próprio erro e, finalmente, representando as pessoas portadoras de deficiência de maneira mais fidedigna e natural possível, a fim de desmistificar os estereótipos que os cercam.