Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 09/07/2021
Frida Kahlo, nascida no México, foi uma grande pintora conhecida, principalmente, por seus autorretratos. A artista, embora hoje aclamada mundialmente, foi vítima de bullying na infância por sua deficiência na perna direita. Analogamente à história de Frida, vê-se que, no Brasil, as pessoas com deficiência (PcD) ainda são vítimas de preconceito e discriminação, o que demonstra a dificuldade do país em combater o capacitismo. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave empecilho, em virtude da escassa atuação do poder público e do pensamento da sociedade.
A princípio, os aspectos governamentais fazem o problema perdurar. Nesse sentido, o chanceler Otto Von Bismarck, em 1880, afirmou que o Estado deve promover o bem-estar dos cidadãos. Entretanto, poucos recursos são destinados à construção de um ambiente escolar inclusivo para os deficientes, principalmente nas escolas públicas, cujas presenças de rampas para os cadeirantes, por exemplo, e profissionais especializados são inferiores quando comparadas às escolas particulares, conforme o Plano Nacional de Educação (PNE). Diante disso, percebe-se uma falha grotesca da função do Estado com o ideal de Bismarck, haja vista que os deficientes são excluídos do corpo social desde a infância, a exemplo da exclusão dos direitos à igualdade e à educação, garantidos pelas cláusulas pétreas. Nesse âmbito, é imprescindível uma medida estatal para alcançar o bem-estar dos brasileiros.
Outrossim, evidencia-se a mentalidade social como um dos agravantes do óbice. Isso se dá, hodiernamente, porque os cidadãos, em grande parte, ainda têm o pensamento arcaico de que as pessoas com deficiência são incapazes e inferiores. Lamentavelmente, vê-se o baixo número desses sujeitos empregados, os quais ocupam apenas 1% dos empregos formais, de acordo com a revista Veja. Por conseguinte, devido ao capacitismo, essa parcela da população é marginalizada e seus acessos ao lazer, à cultura e ao trabalho são limitados. Nessa conjuntura, percebe-se a importância da informação para transfigurar o pensamento do tecido social.
Tornam-se misteres, portanto, medidas exequíveis para mitigar o avanço do entrave. Logo, cabe ao governo federal, instância máxima de poder, por meio dos royalties de petróleo do pré-sal, construir escolas com acessibilidade e instruir a população sobre o que é e quais as consequências do capacitismo. Desse modo, a ação será concretizada mediante curtas animações, produzidas e protagonizadas por pessoas com deficiência, de modo que a sociedade mude o pensamento supracitado e passe a empregar esse público, a fim de que a problemática não seja mais uma realidade no país verde-amarelo. Assim, será mais fácil ver as pessoas com deficiência sendo aclamadas mundialmente, tal como é Frida Kahlo.