Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 09/09/2021
No filme “A Teoria de Tudo”, produzido em 2014, é relatada a vida do astrofísico inglês Stephen Hawking, obra que imortaliza as contribuições científicas do britânico, o qual, por sofrer com Esclerose Lateral Amiotrófica, era incapaz de executar quaisquer movimentos, o que faz com que a narrativa desconstrua a ideia de que a deficiência física impossibilita o indivíduo de contribuir para a sociedade. Entretanto, apesar da capacidade colaborativa, pessoas portadoras de condições no corpo traçam conflitos diariamente com os preceitos de impotência e inferioridade recebidos de outrem, fator que faz emergir os desafios para o combate ao capacitismo no Brasil. Por isso, devido à visão de superioridade e à situação de invisibilidade social daqueles deficientes, tal problemática assola a coletividade.
Em primeiro plano, a perspectiva de subordinação dada aos portadores de condições mecânicas corrobora a conjectura. Nesse sentido, durante a Segunda Guerra Mundial, no século XX, em regiões sob o domínio do nazismo alemão, deficientes físicos, pela sua posição de inferioridade social dada pelo eugenismo germânico, eram caçados e destinados ao extermínio em função da incompatibilidade entre a visão de inabilidade e o modelo de sociedade ariana alemã. Dessa forma, a partir do momento em que, desde a gênese da comunidade, a limitação corporal é tratada como intrínseca à incapacidade, vê-se a formação de uma hierarquia social, na qual deficientes são erroneamente tidos como inúteis e comprometedores da harmonia social. Logo, graças à construção paulatina de uma coletividade pautada na inferiorização daqueles com condições corporais, o capacitismo emerge no Brasil
Ademais, a invisibilidade com que convivem os deficientes físicos agrava, ainda mais, o quadro. Nesse viés, o livro “1984”, de George Orwell, retratada um cenário no qual o autoritarismo do governo toma conta de Londres, fator que faz com que indivíduos desligados do núcleo político, os chamados “proletas”, sejam ignorados na comunidade, o que corrobora a formação de preceitos equivocados sobre tal classe e amplifica sua vulnerabilidade social. Paralelamente, no instante em que portadores de condições mecânicas são excluídos da sociedade em cunho esportivo, trabalhista e interpessoal, sua visibilidade decai e esses são segregados da coletividade, o que aumenta o preconceito e a sua fragilidade no país. Assim, graças aos problemas percebidos, são necessárias medidas interventivas.
Portanto, depreende-se que a questão do capacitismo no Brasil é um desafio e carece de soluções. Sendo assim, a grande mídia, como a Emissora Globo, deve, por meio da inclusão privilegiada de portadores físicos em programas televisivos e digitais, erradicar a invisibilidade em que vivem deficientes em meio à sociedade, a fim de exterminar a visão de subordinação e inferioridade atribuído a esses e, como relatado em “A Teoria de Tudo”, evidenciar as colaborações sociais desses indivíduos.