Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 15/07/2021

Na produção “Tempos Modernos”, do musicista Lulu Santos, o verso “Eu vejo a vida melhor no futuro” representa uma esperança quanto a melhoria nas condições da sociedade hodierna. Paralelamente, quando se analisa a presença do capacitismo no cotidiano brasileiro, tal sentimento otimista torna-se inalcançável, seja pela histórica ideologia socialmente compartilhada, seja pelas influências hegemônicas nesse contexto. Dessa forma, fatos devem ser ponderados e medidas precisam ser tomadas, a fim de amenizar o problema.

Nessa perspectiva, entre os séculos XIX e XX – período marcado pela proclamação da república brasileira, como também pelas mudanças nas tendências socioeconômicas do país –, pseudociências predominaram os ideários formulados, como também embasaram os preconceitos nas percepções sociais. Evidencia-se, sob esse viés, que a existência do capacitismo no Brasil resulta-se do histórico nacional, já que o Estado consolidou-se negligente às necessidades populacionais, exceto ao servirem de manipulação política. Nesse sentido, à luz do sociólogo Karl Marx, as ideias permanentes em uma sociedade são impostas por aqueles que dispõem do poder, visto que as camadas atingidas pela conduta capacitista geralmente são marginalizadas, ou seja, invisíveis aos olhos dos indivíduos elitizados que reverberam, bem como perpetuam o problema em questão.

Além disso, de acordo com o conceito de “Indústria Cultural”, promovido pelos pensadores Adorno e Horkheimer, o consciente coletivo é construído em torno do que consome-se, isto é, a manipulação presencia o que é diariamente acessado. Dessa forma, é válido ressaltar a distorção hollywoodiana como causa para insistência do capacitismo entre as relações autóctones, já que essas obras possuem grande alcance e focam na lucratividade, ao venderem histórias sensacionalistas com falsa representatividade, uma vez distorcem a realidade vivida pelos portadores de alguma deficiência, quando não tendem às visões extremistas. Logo, repensar tal conjuntura servirá de avanço nessa problemática.

Portanto, medidas são primordiais para que a sociedade brasileira enfrente o impasse e acesse o que lhe é direito. Dessa maneira, cabe ao Ministério Educação - órgão responsável pela questões educacionais, bem como pela garantia da cidadania – promover um projeto composto pelos docentes das disciplinas de História e Sociologia, os quais, anualmente, irão construir oficinas e debates de conscientização nas escolas dos Municípios, para romper ideários preconceituosos que cercam a vida dos deficientes brasileiros. Ademais, filantrópicos influenciadores promoverão lives nas redes sociais para refletir acerca das filmografias que dificultam o crescimento do sentimento otimista supracitado.