Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 15/07/2021
Do assassinato de bebês defeituosos em tribos indígenas à marginalização de cegos na Grécia Antiga, observa-se que pessoas com deficiência sofreram com o estigma em praticamente todas as culturas. A esse preconceito dá-se o nome capacitismo, cujo combate ainda depende da superação de diversos desafios, tais como a inferiorização e a falta de compreensão acerca dessa minoria pela maioria.
Em primeiro lugar, nota-se que, com frequência, deficiente são vistos como inferiores e, em alguns casos, nem ao menos são considerados humanos por aqueles de dentro dos padrões. É o caso de Charlie Gordon, protagonista de ‘‘Flores para Algernon’’, livro de Daniel Keyes, que, por ser retardado mental, é constantemente tratado como um ser insignificante, ‘‘sem alma’’, por seus colegas. No entanto, ao passar por uma cirurgia que aumentou seu QI, Gordon percebeu que, ao contrário do que prometiam, ele não se tornou mais feliz, e que ficar mais inteligente não era sua real necessidade. Portanto, depreende-se que o olhar hegemônico, utilizando a maioria como medida, tende a impor falsas necessidades, quando, na verdade, o deficiente já é uma pessoa completa, e não é necessário que ele seja igual à maioria.
Ademais, outro desafio é a falta de compreensão da maioria acerca dessa minoria, que é, por isso, estigmatizada e equivocadamente considerada incapaz de realizar determinadas atividades. Isso é relatado pelo canal do youtube ‘‘Histórias de Cego’’, em que o dono conta fatos de sua vida como deficiente visual. Segundo ele, muitos ficam incrédulos diante de sua independência, pois não achavam que um cego poderia fazer tantas tarefas sozinho, o que mostra como a falta de conhecimento sobre uma minoria pode turvar a imagem que se tem dela e, dessa forma, engendrar preconceitos.
Em suma, entre os desafios para o combate do capacitismo estão a inferiorização e a falta de entendimento sobre as pessoas com deficiência pela sociedade. Para superá-los, é imprescindível que as escolas tornem obrigatórias leituras interessantes e conscientizadoras sobre o tema, a exemplo do livro de Keyes, com debates posteriores direcionados por professores. Além disso, cabe às grandes produtoras de filmes, séries e novelas acrescentar bons personagens que representem a minoria de forma verossímil, de forma a mostrar a competência de seus integrantes e desmistificar preconceitos. Por fim, criadores de conteúdo devem dar visibilidade, por meio de parcerias e vídeos em conjunto, aos influenciadores com deficiência, para proporcionar maior entendimento do público sobre o tema e, dessa forma, passar por cima dos desafios do capacitismo.