Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 30/07/2021

Na Grécia Antiga, na cidade de Esparta, era comum sacrificar crianças que nascessem com alguma deficiência, pois acreditava-se que elas eram incapazes de lutar nas guerras da época. De forma análoga, no Brasil atual, mesmo após séculos, uma forma de capacitismo menos visível perdura, tornando-se uma séria mazela social necessitante de mitigação. Sendo assim, percebe-se que a permanência histórica e a má influência das mídias são grandes desafios no combate ao entrave do preconceito contra pessoas com deficiência.

Nessa perspectiva, é importante destacar a forma como a problemática está historicamente enraizada na sociedade. Sob essa ótica, concordante ao pensamento do antropólogo Claude Lévi-Strauss, só é possível compreender adequadamente as ações coletivas através do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, o capacitismo, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes indissociáveis ao passado brasileiro. Consequentemente, uma mudança na mentalidade do corpo social se faz necessária, uma vez que, sem ela, o combate ao capacitismo torna-se improvável.

Ademais, ressalta-se o fato de a má influência midiática contribuir para a permanência de tal mentalidade preconceituosa. Nesse viés, segundo pesquisas de Adorno e Horkheimer, teóricos da Escola de Frankfurt, a mídia possui grande capacidade de influenciar a opinião e a conduta da sociedade. Por isso, em decorrência da frequente veiculação de conteúdos que estimulam o capacitismo pelos meios de comunicação- como novelas e séries nas televisões-, uma grande parcela da população é induzida a achar que as pessoas com deficiência são inferiores às outras e são incapazes de realizar certas tarefas. Graças a isso, a comunidade se afasta do objetivo de conseguir minimizar a problemática.

Portanto, tendo em vista os prejuízos causados à sociedade por essa mazela, faz-se necessário atenuá-la. Para isso, urge que o governo- órgão responsável por garantir o bem-estar da nação-, em parceria com a mídia, desconstrua a mentalidade capacitista do corpo social. Tal ação deve ser realizada por meio da veiculação de propagandas- que devem mostrar que indivíduos com deficiência não são inferiores a outros- nas redes sociais e nos canais de televisão, a fim de incitar o combate ao capacitismo pelas pessoas. Em suma, essa medida precisa ser efetivada para minimizar atitudes e ideias preconceituosas- como a de Atenas, na Grécia Antiga- da sociedade brasileira.