Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 17/08/2021

Na obra “A Cidade do Sol”, de Tommaso Campanella, é retratada uma sociedade utópica, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas e conflitos. Em contrapartida, fora da trama, a realidade brasileira distancia-se da utopia idealizada pelo autor, já que o capacitismo se configura como um entrave. Decerto, isso é ocasionado tanto pelo passado histórico, quanto pela falta de empatia nas relações modernas. Assim, é fundamental discutir e buscar soluções que atenuem essa chaga social.

Sob esse viés, salienta-se que as raízes dos problemas atuais remetem ao Período Colonial. Nesse contexto, o antropólogo Lévi-Strauss defende que só é possível compreender as manifestações da modernidade quando se analisa os acontecimentos passados. Em concomitância a esse pensamento, observa-se que a chegada dos portugueses, no Brasil, modificaram as bases da cultura dos povos autóctones, pois os indivíduos com deficiência, físicas ou mentais, deixaram de ser considerados espíritos especiais, pela cultura indígena, para serem taxados de incapazes e desnecessários para a construção coletiva, fato que, na atualidade, se repete, visto que muitos sofrem com o descaso, já que a malha social não enxerga suas necessidades. Dessa maneira, enquanto o passado histórico se mantiver vivo, a sociedade manterá sua mentalidade retrógrada e excludente.

Além disso, ressalta-se que a não aceitação do diferente é outro fator que corrobora esse quadro deletério. Nesse panorama, a escritora Hanna Arendt, no seu conceito de “Banalidade do Mal”, afirma que as interações interpessoais são caracterizadas pela maldade, o que torna as relações mais caóticas. Nessa linha de raciocínio, percebe-se que o capacitismo é uma manifestação das palavras de Arendt, tendo em vista que a falta de sensibilidade e empatia para reconhecer as dificuldades de outrem e ajudá-los acentua a desordem social. Dessa forma, é notório que tudo o que não é considerado normal, para as pessoas, tende a ser ridicularizado, por meio do bullying, violência e apatia, de modo a acentuar os efeitos negativos da “Banalidade do Mal”.

Logo, medidas devem ser tomadas para coibir os desafios do capacitismo no País. Nesse sentido, urge que as mídias, como televisão e rádio, por meio de investimentos advindos do Governo Federal, formule propagandas que conte com participação de pessoas com deficiência, como cadeirantes, e médicos influentes, por exemplo, o Dr. Dráuzio Varella, com o fito de mostrar as necessidades e as dificuldades enfrentadas por esses cidadãos no dia a dia, tendo em vista a divulgação da importância de ajudar e agir com mais empatia ao tratar com essas pessoas. Desse modo, a sociedade brasileira modificará sua mentalidade preconceituosa e compreenderá que a empatia deve ser exercida, de modo a tornar as relações entre os indivíduos mais harmônicas como na “Cidade do Sol” de Campanella.