Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 17/08/2021
O filme “Hoje eu quero voltar sozinho” narra a história de um personagem cego que precisa lidar com uma mãe superprotetora enquanto busca sua independência, diversas vezes questionada e improvável para muitos ao seu redor. Essa trama traz a tona uma série de preconceitos sobre as capacidades tidas ou não pelas pessoas devido a uma deficiência, adquirida ou congênita, reduzindo-as somente às suas limitações aparentes. Nesse viés, lamentavelmente, o Brasil, apesar de possuir um considerável número de indivíduos com deficiência, ainda apresenta uma sociedade pouco consciente e respeitosa com tal condição. Decerto, é uma realidade permeada por muitos desafios, que devem ser enfrentados, por razões de ordem social e legal.
Nesse contexto, é pertinente destacar o capacitismo como um entrave à coesão social visto que o preconceito afasta as pessoas. Para corroborar tal ideia, cabe citar o filósofo espanhol, Adolfo Sanches, segundo o qual “É mau tudo aquilo o que contribui para debilitar a união”. Com base nisso, é possível analisar as ações e discursos que reduzem, fisicamente e moralmente, o deficiente, como frases discriminatórias do tipo “você não consegue” ou “você não é normal”, ou mesmo a propagação de padrões aceitáveis e difundidos culturalmente até pela mídia. Esses discursos além de nocivos, segregam as pessoas e enfraquecem a coesão social uma vez que a diversidade deixa de ser normalizada e passa a ser exceção. A coesão, então, deveria superar as desigualdades.
Além disso, convém salientar que a discriminação é uma infração à lei e ataca diretamente a cidadania do indivíduo. Nesse sentido, é válido citar a Constituição Federal, que estabelece a igualdade de todos perante as normas legais. Dessa forma, além do tratamento não preconceituoso, as oportunidades, de trabalho e de pensamento, também integram a noção de igualdade. Entretanto, percebe-se que a sociedade, geralmente, trata o portador de necessidades especiais como condição passageira ou modificável, de modo que sua integração social fica limitada ou restrita a poucos seguimentos, como supermercados, sendo sempre uma exceção, e não algo comum de ver.
Portanto, mitigar o capacitismo no Brasil é imprescindível para a promoção da justiça social e da diversidade. Para isso ser possível, o Ministério Público deve criar campanhas periódicas de conscientização e informação sobre a discriminação contra os deficientes, destacando ações e discursos comuns, que devem ser extintos, e incentivando a denúncia ao presenciá-los. Essas campanhas ocorrerão por meio da mídia, nos principais meios de comunicação, como televisão, redes sociais, rádios e outros pertinentes. Por fim, terá o intuito de promover a mudança de comportamento, a longo prazo, do brasileiro, em prol de formular consciência e respeito ao deficiente.