Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 26/08/2021

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa frase, da filósofa e feminista Simone de Beauvoir, pode facilmente ser associada ao cenário contemporâneo nacional, haja vista a falta de ações que combatam o capacitismo em questão no Brasil. Essa alarmante situação deriva de um preconceito enraizado na sociedade e gera prejuízos à saúde geral das vítimas dessa mazela social. Dessa maneira, é imprescindível analisar o problema e suas origens para que ele seja solucionado com eficácia e rapidez.

Em primeira análise, é notório que o capacitismo é corroborado pelo fato de existir um pensamento distorcido que permeia a comunidade brasileira hodierna. Com isso em mente, de acordo com o filósofo Jean-Jacques Rousseau, “o homem é produto do meio em que vive”. Nesse sentido, por estarem inseridos em um ambiente preconceituso com indívuduos deficientes, as pessoas, certamente, se tornam mais suscetíveis a terem essa mesma mentalidade inadequada e, por conseguinte, tendem a refletir essa visão através de atitudes desrespeitosas e ofensivas. Dessa forma, é possível observar que, caso não seja correta, a visão coletiva pode influenciar negativamente a individual.

Ademais, é axiomático que a discriminação contra aqueles que possuem deficiências gera impactos na saúde geral dessas pessoas. Tendo isso em vista, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doenças. Nessa lógica, torna-se evidente que o preconceito sofrido por esses cidadãos aumenta as chances de eles desenvolverem algum tipo de problema psicológico, como depressão e baixa autoestima, o que rompe com o equilíbrio defendido pela OMS e prejudica a saúde geral dessas pessoas, afetando, como consequência, sua qualidade de vida. Desse modo, nota-se que o preconceito pode prejudicar diversos âmbitos da vida de um indivíduo.

Em vista dos fatos supracitados, faz-se necessária a adoção de medidas que venham a combater a questão do capacitismo no Brasil. Portanto, cabe ao Ministério da Educação erradicar o pensamento discriminatório presente na sociedade, por meio da implementação de uma nova matéria na grade curricular nacional, a qual será lecionada por sociólogos e ensinará as crianças e jovens a serem respeitosos e tolerantes com os demais. Outrossim, é mister que o próprio Ministério da Educação busque conscientizar também os adultos, através da criação de campanhas publicitárias na televisão que buscarão provocar uma reflexão nos espectadores, a fim de promover uma mudança na sua mentalidade. Ao fazer isso, espera-se ter uma sociedade mais humana e altruísta, fazendo com que a frase de Simone de Beauvoir não se relacione com a realidade vivida no país.