Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 31/08/2021

Gregório de Matos, poeta luso-brasileiro, ficou conhecido como “Boca do Inferno”, por denunciar, de maneira ácida, os problemas que assolavam o século XVII. Sob esse viés, talvez, hoje, ao se deparar com os diversos casos de capacitismo no Brasil, o autor produziria críticas a respeito, haja vista que, a discriminação e a violência praticadas com os portadores de deficiência entra em desacordo com os direitos humanos, ao não possibilitar igualdade e respeito entre as pessoas. Portanto, é mister assentir que a escassez de conscientização acerca da inclusão e acessibilidade, adjunto a demasiada influência do legado histórico-cultural, correspondem aos desafios para o combate do imbróglio no país.

Em primeira instância, é fulcral anuir que o cenário contemporâneo, caracterizado pelo aumento nos casos de discriminação e preconceito contra os deficientes, reflete o pouco valor e relevância que a sociedade prorpociona a eles, logo, é possível ratificar que essa realidade é motivada principalmente pela ausência de programas inclusivos. Nesse sentido, é elementar anuir que a carência de movimentos que visem conscientizar, incluir e promover a acessibilidade entre os desejos é um dos desafios para o combate ao capacitismo no Brasil, uma vez que, não são combatidos os fatores que motivem esse revés, assim contribuindo para cristalização de uma percepção errônea e equivocada, a qual é refletida em menores condições de igualdade e oportunidades para, segundo o IBGE, cerca de 24% da população brasileira, ou seja, 45 milhões de pessoas com necessidades especiais.

Em segunda análise, é imperativo ratificar que o legado histórico-cultural influênciou diretamente a realidade atual e excruciante dos deficientes, tendo em vista que é mantido noções históricas e discriminatórias, as quais impactam diretamente o modo de pensar e enxergar da sociedade em relação às pessoas com necessidades especiais. Sob essa óptica, urge reconhecer a veracidade da teoria “Habbitus”, do sociólogo Pierre Bourdieu, a qual propõe que os comportamentos característicos de uma determinada época, tendem a serem naturalizados e reproduzidos ao longo do tempo. Dessarte, é explícito que o capacitismo além de possuir raízes históricas, concebe uma ruptura do bem-estar social, dessa maneira, é indubitável a necessidade de extinguir esse óbice em prol da harmonia.

Destarte, para evitar um cenário semelhante ao século XVII, o qual era alvo das críticas de Gregório de Matos, far-se-á que o Governo, enquanto uma instância máxima da administração executiva, proporcione ações conscientizadoras, que além de eliminar as concepções errôneas enraizadas no meio social sobre os deficientes, promova a inclusão desses, oferte oportunidades e garanta a igualdade, por meio de leis que contemplem essa comunidade e assegurem seus direitos, desse modo, corroborando o bem-estar coletivo e extinguindo o capacitismo do território brasileiro.