Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 09/09/2021
A “Atitude Blasé”, expressão fundamentada pelo sociólogo alemão Georg Simmel, ocorre quando o indivíduo passa a se comportar com indiferença em meio aos assuntos que ele deveria dar atenção. Com efeito, a exclusão do capacitismo como um problema social, e a sua posterior banalização pela indiferença, gera cada vez mais desafios para o seu combate. Nesse perspectiva, se faz essencial analisar as principais consequências desse problema na sociedade brasileira.
Primeiramente, é pertinente destacar que a negligência governamental corrobora para a perpetuação desse cenário. De acordo com o artigo 5º da Constituição Federal de 1988, documento jurídico de maior importância no país, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. No entanto, ao analisar a falta de medidas que protegem os deficientes físicos e asseguram o seu acesso básico as coisas, é indiscutível que essa máxima constitucional não vem sendo valorizada pelo governo nacional. Dessa forma, a má atuação estatal causa uma desarmonia social e a pouca inclusão dos deficientes na sociedade, o que gera uma condição de exclusão desse nicho para todos.
Além disso, a indiferença do corpo social com os deficientes é um agravante gerado pelo problema acima, que dificulta ainda mais o combate ao capacitismo. Essa perspectiva se torna visível quando observamos o afastamento profissional das empresas com os deficientes ao selecionar pessoas capacitadas para ocupar determinados cargos. Dessa forma, é notório que o afastamento dessas pessoas do seio social avança exponencialmente, se expandindo para diversas áreas, como a profissional, criando então, uma condição de segregação totalmente nociva e inadmissível para pessoas que na teoria, deveriam possuir os mesmos direitos sociais do que todos.
Portanto, pode-se notar que a indiferença social e governamental dificulta o combate ao capacitismo no país. Nesse âmbito, cabe ao governo federal projetar políticas públicas que incentivem a inclusão de deficientes na sociedade, através de programas sociais com incentivos fiscais para empresas que integram deficientes, acompanhados de uma assistência estatal direta voltada a eles, a fim de estabelecer a inserção do deficiente na sociedade, facilitando o combate ao capacitismo. Dessa maneira, a “Atitude Blasé”, referenciada por Georg Simmel, não faria parte da realidade dos brasileiros.