Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 11/09/2021

No drama espanhol “Pielies” de 2020, conta a história de três personagens principais, Ana, Laura e Guille. O filme remete aos antigos circos de horrores que ofereciam ao público o prazer de observar, em jaulas, pessoas que apresentavam certos tipos de anomalia mas, apesar do filme se tratar de uma obra muito fictícia observa-se na sociedade a negligência das autoridades e a ineficiência do sistema educacional em promover medidas de conscientização e inclusão, que fazem com que o cenário de capacitismo retratado nos show de horrores antigamente se reproduza continuamente na vida dos deficientes brasileiros.

Em primeiro plano, nas civilizações da Antiguidade Oriental, todos os nascidos com deficiência eram atirados de penhascos por serem considerados inúteis para a sociedade. Mais adiante, na Idade Média, a Igreja Católica apontava a deficiência como obra demoníaca ou castigo divino. Nesse sentido, é visível que o cenário de intolerância e exclusão vivenciado pelos deficientes possui raízes históricas e culturais, agravadas pela ineficiência da educação brasileira na construção de ideais inclusivos e altruístas que substituam a ignorância medieval.

Além disso, para o filósofo Jean-Paul Sartre, a violência, em qualquer manifestação, representa uma derrota para a sociedade. Nesse sentido, é possível perceber que a violência presente no capacitismo seja ela física, verbal ou social é decorrente da derrota dos governantes do país na promoção de medidas efetivas de inclusão social. Dessa forma, os deficientes permanecem à margem da sociedade, sem oportunidades de desenvolvimento do potencial acadêmico e profissional, de modo a fortalecer a ideia de incapacidade.

Dado o exposto, torna-se urgente a realização de uma parceria entre Ministério da Educação e Instituições de Ensino, com o objetivo de promover a conscientização e inclusão social. Tal finalidade seria alcançada através do desenvolvimento de uma carta de orientação destinada aos professores, que contaria com instruções para a inclusão de deficientes no meio escolar, bem como atividades de conscientização e desenvolvimento do altruísmo e coletividade. Assim, as grades da ignorância medieval seriam quebradas pelo conhecimento e inclusão, ao passo que a derrota social e educacional do país seria substituída por novas oportunidades e perspectivas, impedindo que os cenários de antigamente como os show’s de horrores retratado no filme “Pieles” se reproduza na realidade brasileira.