Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 22/09/2021

O curta-metragem criado pelo Governo da Bahia, intitulado “O ódio mata”, demonstra a realidade de um cadeirante na busca por emprego, evidenciando a discriminação do entrevistador como desafio para a obtenção da vaga. Nesse sentido, percebe-se que o enraizamento de práticas discriminatórias na sociedade, bem como a falta de infraestrutura e de oportunidades direcionadas aos deficientes no Brasil atuam como empecilhos para o combate ao capacitismo no país. Dessa forma, medidas devem ser tomadas com o intuito de atenuar as mazelas existentes.

A princípio, o preconceito associado a pessoas com deficiência deve ser ressaltado como fator atenuante na perpetuação do problema social supracitado. Por esse viés, o filme “O Extraordinário” retrata a estereotipização do personagem Auggie, ao ser julgado menos capaz intelectualmente devido às suas deformações faciais. Desse modo, percebe-se que há um pré-julgamento intrínseco ao pensamento moderno, agravado pela falta de políticas públicas igualitárias e de projetos informativos. Por conseguinte, a prática de ações excludentes aumenta a marginalização que acomete essa minoria social e a impede de desenvolver seu potencial juntamente a outros grupos. Logo, ações para a construção de ideais inclusivos, que substituam a ignorância atual, devem ser realizadas.

Ademais, são necessárias discussões acerca da inacessibilidade vivenciada pelos indivíduos com deficiência no Brasil. Sob tal ótica, nota-se que a infraestrutura pública direcionada aos deficientes físicos, configura-se como ineficiente, uma vez que as adaptações das ruas, escolas e faculdades às suas necessidades são insuficientes. Além disso, conforme pesquisas do IBGE, existem 13 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, no entanto, apenas 440 mil profissionais com deficiência exercem trabalhos formais. É visto, então, que o capacitismo impacta negativamente na introdução desses cidadãos no mercado de trabalho, dado que a criação de rótulos impede a sua contratação. Dessa maneira, são imperativos projetos governamentais para a melhoria dos problemas supraditos.

Depreende-se portanto, a importância de intervenções que visem minimizar as adversidades para a supressão do capacitismo na população brasileira. Assim, cabe ao Governo Federal a implementação de projetos sociais de inclusão, por meio da organização de palestras sobre deficiências, em escolas e faculdades, ministradas por profissionais da área de biologia e de psicologia, a fim de ampliar o conhecimento geral sobre essa questão. Outrossim, compete aos Órgãos Federais, mediante a figura do Ministério da Infraestrutura, amplificar os investimentos públicos destinados a adaptação dos deficientes na sociedade, via construção de rampas e pisos táteis nas ruas, por exemplo. Desse modo, será possível amenizar os efeitos do fenômeno citado anteriormente e garantir o bem-estar de todos.