Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 22/09/2021

O seriado “Atypical” retrata o cotidiano e os obstáculos vivenciados pelo protagonista Sam, um adolescente com traços de autismo. Análogo ao seriado, os obstáculos impostos ao protagonista estão relacionados com o capacitismo, caracterizado pela discriminação e violência de pessoas com deficiência. No Brasil, essa problemática ainda persiste devido à naturalização do preconceito e à invisibilidade dessas pessoas na sociedade.

Nessa perspectiva, é notório que, seguindo a mentalidade social, o capacitismo está presente nas sociedades humanas desde seu surgimento. Sob essa ótica, vale ressaltar o período da Grécia Antiga, onde, em razão da valorização do corpo perfeito, as pessoas atípicas eram excluídas. Paralelo a isso, desde a Primeira Revolução Industrial, com a ideia da capacidade funcional, pessoas com deficiência se viram hierarquizadas como inferiores e incapazes. Logo, fica evidente a naturalização desse preconceito e a complexidade de seu combate.

Ademais, atentando-se ao grande número de pessoas atípicas no Brasil que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), equivalem a 24% da população, o despreparo quanto à acessibilidade dessas pessoas explicita sua invisibilidade na sociedade brasileira. Essa realidade é contrária ao conceito do bem-estar social criado pelo filósofo francês Jean-Paul Sartre, no qual é citado como dever do Estado a promoção desse bem-estar. Assim, nota-se que o capacitismo no Brasil e a consequente exclusão de pessoas portadoras de deficiência é referente ao desinteresse do Estado quanto à integração social das mesmas.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Dessa forma, é dever do Ministério da Educação, em parceria com a Mídia, garantir a conscientização popular em relação ao capacitismo, por meio de propagandas televisivas e palestras escolares. Além disso, é necessário também, por intermédio do setor público municipal, maior inclusão de pessoas atípicas nas cidades, por meio da criação e implantação de um projeto urbanístico com recursos que possibilitem total acessibilidade para elas. Espera-se, com essas medidas, combater os obstáculos vivenciados por pessoas que, assim como Sam, são portadoras de deficiência.