Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 18/11/2021
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu, em suas obras, uma “teologia do traste”, cuja característica principal reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Sob a ótica barrosiana, faz-se preciso valorizar os desafios para o combate ao capacitismo no Brasil. Nesse sentido, a fim de dissertar e argumentar sobre essa temática, é importante analisar a negligência estatal e a educação brasileira.
Mormente, deve-se salientar a ausência de medidas governamentais eficazes para combater a discriminação e violência contra pessoas com deficiência. Nessa conjuntura, Otto Von Bismarck, estadista mais importante da Alemanha do século XIX, afirmou que o Estado deve garantir o bem-estar social da população. Sob esse viés, na medida em que existem pessoas vivendo sem os seus direitos mínimos efetivados como a igualdade e segurança, observa-se a falha da função do poder público, o que é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar que uma parcela da população se mostra alienada. De acordo com o musicólogo Vladimir Jankélévitch, em seu livro entitulado “Paradoxo da moral”, o homem moderno carrega uma cegueira ética, ou seja, as pessoas apresentam passividade frente aos impasses enfrentados. Similarmente, os cidadãos brasileiros não enxergam que os portadores de deficiência são capazes de exercer diversas funções e não podem ser excluídos socialmente. Essa situação ocorre, porque a população adquire uma postura individualista e não se movimenta em prol de mudar essa condição. Desse modo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar esse entrave. Sendo assim, cabe ao Poder Legislativo, por meio da criação de leis eficazes, que tenham como objetivo proteger, criar projetos de inclusão social e amparar as pessoas que sofrem com o capacitismo. Paralelamente, é imperativo que o Ministério da Educação promova uma série de palestras em escolas, ministradas por especialistas no assunto, que tenham alunos do ensino fundamental e médio como público-alvo. Essa ação deve ser compartilhada na rede social do Ministério em formato de “live”, com a finalidade de trazer mais clareza sobre a existência do capacitismo no Brasil e como a nação deve contribuir para a sua extinção, alcançando um público maior. Assim, torna-se possivel a construção de uma sociedade permeada pela incorporação dos elementos elencados na Magna Carta.