Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 23/09/2021
Inicialmente, a problematização em relação ao capacitismo, pode não parecer certa na visão de pessoas que não possuem algum tipo de deficiência. Mas para entender o tamanho do problema é preciso relembrar um trauma, para dizer o mínimo. Durante o século 19, pessoas com deficiência eram usadas nos chamados show de aberrações. Exibidas em circos, as deficiências dessas, era utilizada como forma de gerar riso, constrangendo e oprimindo os detentores das mesmas. Esse marco aponta historicamente a indiferença humana com quem é diferente, podendo ser atrelado ao medo e nojo. Assim iniciou-se um caminho de discriminação, bullying que as colocavam como inválidas dentro da sociedade.
Contudo, o termo capacitismo, é relativamente novo, utilizado para apontar preconceitos ainda enraizados em relação à deficiência. A utilização deste nome é relacionada desde a falta de acessibilidade nos espaços até a maneira com qual essas pessoas são tratadas e representadas.
Segundo o consultor em acessibilidade do Grupo Bandeira das Artes, Klístenes Braga, a Warner poderia ter prevenido o risco de erro caso tivessem se informado no assunto, até mesmo com a inclusão de deficientes. “Para além de ser uma questão de empatia e de levar em consideração as lutas do movimento, acho que faltou uma leitura de mundo. Hoje a linguagem já não sugere o uso de deficiência para evidenciar uma bruxa má”, explica. “Em qual contexto ou por que ela deveria ter um número menor de dedos? Às vezes, basta uma pergunta dessas para resolver o problema e criar outras possibilidades”.
Apesar de a presença de pessoas com deficiência no audiovisual esteja aumentando, o resultado não é satisfatório. Um relatório da fundação Ruderman Family Foundation revisou 280 séries de TV e streaming norte-americanos entre 2016 e 2018. Nesse período foi constatado que, em metade delas, havia personagens com deficiências físicas, cognitivas ou mentais, mas mostra que a deficiência “quase sempre é retratada como um estado indesejado, deprimente e limitador”.