Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 20/09/2021
No livro Memória Póstumas de Brás Cubas o protagonista se apaixona por uma moça, Êugenia, coxa de nascença e quando descobre sua condição física, escarnece: “por que bela se coxa, por que coxa se bela”. Analogamente, na realidade muitas pessoas com deficiência mental e física sofrem com o capacitismo (comportamento que coloca em dúvida suas habilidades sociais). Dessa forma, é preciso colocar em pauta os desafios para combater esssa problemática, os quais perpassam por raízes históricas e políticas.
Em primeiro lugar, percebe-se como os portadores de alguma disformidade física, fosse de nascença ou não, constantemente eram tratados como aberrações. Isso porque a sociedade demonstra, com frequência, dificuldade em lidar com situações que fogem do padrão e desafiam a normatividade. Prova da maneira cruel com que tais cidadãos eram vistos é o seriado americano American Horror story: Freaky Show, o qual remete aos antigos Shows de Horrores ocorridos entre 1840 e 1970. A série mostra como os deficientes eram exibidos para entretenimento: uns eram motivo de chacota outros de medo, mas todos eram vistos como animais por seus espectadores. Por isso, fica nítida a necessidade de desconstruir essa visão histórica de desumanização e dependência do indivíduo deficiente.
Em segundo lugar, é válido destacar que os políticos brasileiros tem pouco se esforçado tanto para entender quanto para representar essa parcela da população. Nesse sentido, observa-se a escassez de políticas públicas que garantam inclusão e inserção no convívio social e até escolar, negando às crianças surdas, cegas ou com algum nível de paralisia física e mental o seu direito básico à educação. A fala do atual Ministro da Educação exemplifica esse panorama lastimável, ele afirmou que há determinado grau de deficiência que torna impossível a convivência numa sala de aula. Logo, é perceptível o despreparo e até conivência dos representantes públicos do país em relação a tamanha dificuldade.
Portanto, entende-se a urgência no enfrentamento à visão capacitista no Brasil. Para tanto, as instituições midiáticas precisam trazer para suas propagandas, filmes e séries roteiros, que reproduzam a realidade de pessoas deficientes, sem se preocupar em transformá-las em coitadas ou heróis, apenas seres humanos lutando contra preconceitos e barreiras. Além disso, é preciso que os partidos políticos apoiem essa causa através do incentivo à inclusão também na esfera política, a fim de que tais cidadãos possam se sentir diretamente representados pelo Estado. Tudo isso deve ser feito com o fito de banir escarnecimentos e rejeição como da história de Brás Cubas para com Eugênia. Só assim o país será livre das cadeias da discriminação.