Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 19/09/2021

No filme “Luca”, a personagem Massimo Marcovaldo, que nasceu sem o braço direito, conta sobre a história de sua deficiência de forma natural para Luca e Alberto e é visto pelo povo da sua cidade muito além da sua deficiência. Diferente da ficção, muitas pessoas ainda possuem um ponto de vista errado sobre os deficientes: acreditam que esses indivíduos são limitados a sua condição. Dessa forma, o combate ao capacitismo no Brasil apresenta vários desafios, sendo marcado, principalmente, pela visão preconceituosa e a dificuldade na inclusão da pessoa com deficiência( P.C.D) na sociedade.

Em primeira instância, é importante destacar que a existência de uma interpretação estigmatizada da P.C.D colabora com os obstáculos na resolução da problemática. No início da idade média, os deficientes físicos e mentais eram frequentemente vistos como possuídos pelo demônio e eram queimados como as bruxas. Desse modo, apesar desse tipo de desumanidade não acontecer mais, ainda persiste a visão de incapacidade direcionada a esses indivíduos. O deficiente é visto como alguém que não possui autonomia, assim, não poderia trabalhar, estudar e ter um relacionamento amoroso, sendo assim, inapto de ter uma vida “normal” por conta das suas limitações. Dessa maneira, esse pensamento contribui para a exclusão dessa população da  sociedade que sofre as consequências desse apagamento diariamente.

Ademais, a ausência de uma inclusão e acessibilidade efetiva é outro fator para a permanência desse cenário no país. A Constituição Federal garante a igualdade civil independente de distinção e assegura o direito de ir e vir dos cidadãos. Contudo, a realidade é bem distante do que prevê a lei, principalmente, na inclusão de indivíduos com algum tipo de deficiência na sociedade. Segundo dados do IBGE, 23,9% da população possui alguma deficiência seja física, motora ou intelectual. Desse modo, uma parcela da população sofre com a falta de acessibilidade na saúde, na mobilidade urbana e nas escolas. Um exemplo disso é a ausência de calçadas adaptadas para cadeirantes e deficientes visuais, as quais são altas e não possuem rampas ou guias. Dessa forma, o acesso limitado aos meios de transportes e prédios afetam de forma direta na vida e bem estar dessas pessoas.

Fica evidente, portanto, que é de suma importância a resolução desse panorama para garantir os direitos e qualidade de vida a esses indivíduos. Desse modo, o Governo Federal, em parceria com a mídia, deve investir em propagandas na TV, internet e outdoor conscientizando a população sobre os malefícios do preconceito direcionado ao deficiente e a importancia da inclusão. Dessa forma, essa parcela da população será assistida de forma efetiva e, assim, seram visto muito além dos seus limites como acontece  com Massimo Marcovaldo no filme “Luca”.