Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 01/10/2021
O filme Extraordinário narra a vida de um menino que nasceu um problema facial e, por isso, passou por diversas cirurgias ao longo da vida. Neste sentido, as pessoas o julgavam como incapaz e o menosprezavam, baseados na sua aparência, o que configura uma atitude capacitista. Desse modo, tal violência não se enquadra apenas na ficção e perpetua na sociedade devido à corponormatividade e a ausência de punições.
Em primeiro plano, vale ressaltar a idealização de um padrão corporal como influente nessa agressão. Geralmente, a pessoa com deficiência é julgada pela comunidade por meio de um modelo corporal visto como ideal -denominado corponormatividade-, o que acarreta em preconceito e exclusão dela. Dessa forma, a pessoa com necessidades especiais tem dificuldade em situações simples, como trabalhar, estudar e, até, namorar geradas pela opressão. Essa realidade foi relatada no filme “Crip Camp”, no qual mostra a história de um acampamento exclusivo para deficientes, nos anos 70, e que resultou em um movimento social pró inclusão.
Outrossim, a impunidade em casos de capacitismo contribui para a sua persistência. Em sua maioria, a população pouco sabe sobre o capacitismo e isso, aliado à falta de punições evidentes reforça ainda mais um teor secundário sobre o tema, mesmo com a existência de leis que amparem as pessoas com deficicência. Segundo a Lei Brasileira de Inslusão, praticar, induzir ou discriminar alguém, em razão da sua deficiência, acarreta pena de um a três anos de detenção e multa, o que comprova o amparo legal, porém reforça a impunidade, visto que é pouco aplicada.
Portanto, para reduzir essa prática preconceituosa é necessário que haja debates além das telas. Sendo assim, o Ministério da Educação, em parceria com Organizações Não Governamentais vinculadas aos direitos humanos, deve fornecer debates constantes em suas redes sociais e nas instituições de ensino sobre o capacitismo, por intermédio de conversas entre os alunos, filmes, troca de experiências e trabalhos na comunidade, afim de gerar senso crítico social e incluir as pessoas com deficiência. Ademais, as Secretarias de Segurança Pública devem reforçar a aplicação da Lei, por meio de programas online que facilitem as denúncias e investigações ágeis e punitivas, quando necessário, visando a segurança e o respeito à comunidade.