Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 25/09/2021

O filme “Como Eu Era Antes de Você” retrata o cotidiano de Will, um homem rico e bem-sucedido que fica tetraplégico após ser atropelado. Dentre os desafios enfrentados no contexto da deficiência, Will enfrenta o capacitismo em diversas situações, nas quais é tratado como incapaz e lida com a ausência de uma inclusão efetiva. Analogamente, a negligência das autoridades e a ineficiência do sistema educacional em promover medidas de conscientização e inclusão, fazem com que o cenário de capacitismo retratado no filme se reproduza continuamente na vida dos deficientes brasileiros.

Inicialmente, é viável ressaltar a importância do fácil acesso aos deficientes, tanto por meios tecnológicos, quanto estruturais/físicos, pois favorecem a igualdade de classes e reduzem a exclusão individual. Todavia, tais recursos mantém-se com baixa precisão em maior parte do Brasil, como observado no site Gestão escolar, onde 74% das escolas públicas, não possuem ingresso à acessibilidade. Entretanto, o capacitismo torna-se fruto dessa perspectiva a partir do momento, em que essas vítimas tornam-se “segunda opção” pelos líderes governamentais, que por sua vez, vem influenciando também a s ações e comportamentos da comunidade que segue o exemplar do “guia”, além do mais, tudo isso graças a pouca importância dada aos deficientes.

Além disso, para o filósofo Jean-Paul Sartre, a violência - em qualquer manifestação - representa uma derrota para a sociedade. Nesse sentido, é possível perceber que a violência presente no capacitismo - seja ela física, verbal ou social - é decorrente da derrota dos governantes do país na promoção de medidas efetivas de inclusão social. Dessa forma, os deficientes permanecem à margem da sociedade, sem oportunidades de desenvolvimento do potencial acadêmico e profissional, de modo a fortalecer a ideia de incapacidade.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para solucionar esse impasse. Para que o preconceito seja mitigado, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação e as instituições escolares, desenvolva projetos de aula que tratem sobre a inclusão de pessoas com deficiência e sua capacidade de realizar as atividades, por meio de rodas de conversa, palestras com psicólogos, médicos e jogos didáticos, os quais estimulem a interação entre os alunos com e sem limitações, visando desconstruir essa óptica discriminatória e a exclusão. Ademais, cabe ao Ministério do Trabalho, mediante as mídias sociais, divulgar a necessidade de as empresas contratarem os deficientes,a priori o objetivo de assegurar à igualdade de todos, além de dar visibilidade e participação. Destarte, a realidade apresentada pela séria ficará apenas na Ficção e a Constituição será cumprida.