Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 24/09/2021
Aproximadamente 25% da população do Brasil possui algum tipo de deficiência, de acordo com uma pesquisa de 2019 feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e desses 25%, apenas 1% estão no mercado de trabalho e 0,52% estão matriculados em algum curso superior, dados da pesquisa, também do IBGE, de 2018 e 2019. Tendo em vista a evidência da discrepância entre a parcela de deficiêntes brasileiros e os que estão ativos na sociedade, é clara a debilidade do nosso país de se adaptar para essas pessoas, sendo pela falta de acessibilidade ou pela mentalidade preconceituosa dos brasileiros. Dessa maneira, é necessário propostas de intervenção para gerar mais e melhores possibilidades para os deficientes do Brasil.
A fim de reconhecer as raízes da acessibilidade das pessoas com deficiência, deve-se discutir sobre a própria estrutura de nossas cidades. As ruas, casas, prédios, supermercados e muitos outros locais cotidianos, foram planejados em base de um padrão, esse denominado corponormatividade, que seria, basicamente, excluir qualquer corpo fora dos padrões tanto de beleza, quanto de saúde, da sociedade. Michel Foucault, renomado filósofo do século XVII, denominava o que chamamos de corponormatividade como biopoder, que se baseia em tornar uma patologia tudo e qualquer um fora do padrão comum. Fica evidente quão errônea é essa ideologia, pois, de acordo com os Direitos Humanos, todos são iguais perante a lei e possuem os mesmos direitos.
Além da falta de estrutura das cidades para que deficientes possam translocar-se, há também as barreiras do preconceito. Capacitismo é a violência e discriminação contra as pessoas com deficiência, é um preconceito muito enraizado em nossa sociedade. Uma comum faceta desse preconceito é o pensamento de que portadores de deficiência são incapazes e, consequentemente, infelizes, de modo que julgam suas delimitações como algo a ser penoso, todavia, o que torna penosa a vida dessas pessoas é o próprio capacitismo. Sendo assim, esse pensamento é irracional, pois as deficiências, e corpo de uma pessoa não é motivo de vergonha ou tristeza, mas, sim, digno de respeito e orgulho.
Nesse sentido, fica evidente a necessidade de nosso país se adaptar à parcela da sociedade portadora de deficiências. Com o intuito de fazer jus ao direito de ir e vir de todo cidadão, maiores investimentos do Governo, em foco, das prefeituras, na readaptação de ruas, escolas, mercados, entre outros ambientes cotidianos, tornando-os acessíveis a todos. Ainda além, a fim de tornar comum a imagem de corpos fora do padrão social, redefinindo o mesmo, os deficiêntes deveriam ter maior representatividade por meio da mídia, por exemplo, ação essa, dever do Ministério da Educação. Dessa forma, podemos tornar nosso país acessível a todos os brasileiros e combater o capacitismo.