Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 25/09/2021

Os Jogos Paraolímpicos é um evento mundial esportivo, no qual há a competição de atletas que possuem alguma deficiência, de modo a promover a inclusão social. Todavia, o preconceito e a discriminação contra essa parcela da população ainda é muito latente na sociedade contemporânea. Diante disso, é imperioso que se analisem o individualismo social e a negligência governamental, como intensificadores do capacitismo no Brasil. Em primeira análise, é importante salientar que a postura individualista da sociedade corrobora a perpetuação de atitudes capacitistas no país. Segundo as ideias do psicanalista Lacan, as morais da coletividade influenciam diretamente os comportamentos individuais. À luz do exposto, em um meio coletivo, no qual o interesse próprio é priorizado em detrimento do público, a banalização de atitudes egoístas torna-se comum. Por conseguinte, atos de cunho discriminatório contra pessoas com alguma deficiência, por exemplo, são normalizados no corpo social, o que confere à coletividade um caráter preconceituoso e excludente. Dessa forma, o egocentrismo dos indivíduos colabora com o aumento desse cenário no Brasil. Ademais, é válido ressaltar que a inobservância estatal contribui com o aumento do capacitismo no território brasileiro. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948, todos têm o direito à saúde, educação e ao bem-estar social. Entretanto, a ausência de investimento governamental, em relação a uma infraestrutura que ofereça acessibilidade aos indivíduos portadores de alguma deficiência nas ruas e nos estabelecimentos públicos, age de forma a negar tais direitos. Em consequência disso, há o aumento da exclusão dessa parcela populacional, já que a locomoção de cadeirantes nas vias, por exemplo, é um desafio diário, visto que há ainda muitas ruas que não possuem calçadas e rampas em bom estado para a fácil locomoção com a cadeira de rodas. Logo, a inatenção do Estado intensifica essa conjuntura brasileira. Destarte, é notório que a sociedade e o Poder Público colaboram com o capacitismo no Brasil. Assim, é necessário que a mídia, na qualidade de difusora de informações, divulgue, por meio de documentários, os impactos de atitudes capacitistas na vida de indivíduos portadores de alguma deficiência, com a finalidade de mitigar atos discriminatórios no país. Além disso, urge que o governo, como gestor dos interesses coletivos, garanta, por intermédio do investimento público, uma infraestrutura nos estabelecimentos e nas vias que atenda a todos, com o intuito de diminuir a exclusão de cadeirantes, por exemplo. Dessa maneira, a inclusão social, demasiadamente promovida pelos Jogos Paraolímpicos, será vista em todos os setores da coletividade.