Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 30/09/2021
Durante o século 500 antes de Cristo, o povo espartano regia sua sociedade com base no treinamento de homens para combates e posições de governo. Sendo assim, a criança nascida deficiente ou com alguma limitação física era deixada pelos pais para servir de comida aos animais selvagens, pois não era visto como pessoa digna de cidadania ou vivência. Nesse contexto, o deficiente brasileiro também enfrenta obstáculos para viver de maneira plena em sociedade. Dessa forma, a mentalidade preconceituosa e a falta de inclusão de figuras com deficiência nos veículos midiáticos contribuem para a dificuldade do combate ao capacitismo no Brasil.
Em primeira análise, é indubitável que a manutenção de uma concepção preconceituosa sobre os portadores de deficiência está entre as causas do problema. Sob essa ótica, o filme “Sound of Metal” mostra as limitações que um ex-baterista enfrenta quando fica surdo, como a negligência em tentar viver em harmonia com sua condição, pois esse vê a surdez como impecilho. De maneira análoga, essa realidade é vigente na terra tupiniquim, a qual exclui os deficientes da vivência em sociedade, por acreditarem que jamais poderão viver como pessoas não-portadoras e que têm de ser vigiadas o tempo todo. Dessa forma, o capacitismo perdura haja vista que uma condição talvez não limitante difere um indivíduo dos demais, e assim, esse é excluído do meio por não ser igual aos outros.
Outrossim, destaca-se a falta de inclusão de deficientes nas mídias. Sob esse viés, o filme de terror “Fuja!” tem como personagem principal uma jovem interpretada por uma atriz cadeirante, a qual desempenha seu papel com maestria e não é atrasada por sua condição. De forma semelhante, essa realidade não ocorre no Brasil, haja vista que a grande maioria dos profissionais contratados não faz parte da minoria com deficiência. Dessa maneira, as telas distanciam a sociedade do convívio saudável e compreensivo com cidadãos deficientes, e assim contribuem para a manutenção de concepções preconceituosas e excludentes.
Em suma, a continuidade dos desafios de combate ao capacitismo no Brasil estão diretamente ligados à mentalidade retrógrada e à falta de representatividade nas mídias. Portanto, cabe aos veículos midiáticos, uma vez que estes são responsáveis pela propagação da informação, criar anúncios abordando a população deficiente de maneira direta e indireta. Isso será feito por meio de anúncios e propagandas em horário nobre sobre produtos de marca oferecidos por atores e atrizes com e sem deficiência, a fim de representar todas as camadas sociais brasileiras. Além disso, cabe também às mídias compartilhar e produzir campanhas contra o capacitismo, de forma a fazer a sociedade coexistir pacificamente.