Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 30/09/2021

Em Esparta, na Grécia Antiga, crianças com deficiências físicas eram jogadas das montanhas por serem consideradas “fisicamente inaptas”. De maneira análoga, ainda que de forma mais branda e até mesmo velada, percebe-se, na realidade brasileira, o preconceito contra pessoas que possuem algum tipo de deficiência, o que caracteriza o capacitismo. Desse modo, faz-se necessário analisar o fato de que o desconhecimento sobre tal assunto e a banalização de atitudes capacitistas impedem que o indivíduo com deficiência deixe de ser visto como sub-humano.

É indubitável que a ausência de consciência sobre o que é o capacitismo contribui para a sua propagação. Segundo o filósofo Paulo Freire, uma educação “bancária” é caracterizada, entre outras coisas, pela falta de incentivo ao desenvolvimento de uma consciência social. Nesse sentido, observa-se que inúmeros indivíduos - por terem sido vítimas do modelo pedagógico denunciado por Paulo Freire - nunca tiveram contato com a real definição do que é o capacitismo e como combatê-lo. Dessarte, é evidente que a ignorância dos indivíduos no que concerne ao capacitismo garante o continuísmo da discriminação e consequente segregação dos indivíduos com deficiência.

Além disso, é preciso analisar o fato de que a normalização de atitudes capacitistas faz com que as pessoas com deficiência sejam cada vez mais inferiorizadas. De acordo com o filósofo Adolf Vásquez, a frequente ocorrência de um fato leva, erroneamente, à sua normalização. Nessa ótica, a concepção de que a deficiência é um fator limitante o qual impede que as pessoas realizem até mesmo tarefas cotidianas (como trabalhar e ir à escola) é cada vez mais frequente na sociedade, o que permite a normalização de tal ideia, ainda que seja equivocada. Assim, percebe-se que barreiras socialmente construídas dificultam o efetivo combate ao capacitismo na sociedade brasileira.

Portanto, cabe ao Governo Federal divulgar conteúdo educativo sobre o capacitismo, uma vez que isso permitirá que os indivíduos se tornem mais conscientes sobre atitudes preconceituosas contra pessoas com deficiência. Isso deve ser feito por meio de palestras e cartilhas que serão divulgadas para a população, com o intuito de construir uma sociedade mais igualitária e, portanto, mais acolhedora às pessoas com deficiência. Dessa forma, o combate ao capacitismo deixará de ser uma utopia.