Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 30/09/2021

O filme “Como Eu Era Antes de Você” retrata o cotidiano de Will, um homem rico e bem-sucedido que fica tetraplégico após ser atropelado. Dentre os desafios enfrentados no contexto da deficiência, Will enfrenta o capacitismo em diversas situações, nas quais é tratado como incapaz e lida com a ausência de uma inclusão efetiva. Da mesma forma, o descaso das autoridades e a ineficácia do sistema educacional em promover atividades de conscientização e integração fazem com que o cenário de capacitação apresentado no filme seja constantemente recriado na vida dos brasileiros com deficiência.

Em primeiro plano, nas civilizações da antiguidade oriental, todos os deficientes nascidos eram jogados de penhascos por serem considerados inúteis para a sociedade. Mais tarde, na Idade Média, a Igreja Católica apontou a deficiência como uma obra demoníaca ou um castigo divino. Nesse sentido, pode-se perceber que o cenário de intolerância e exclusão vivenciado pelas pessoas com deficiência tem raízes históricas e culturais, exacerbadas pela ineficácia da educação brasileira na construção de ideais inclusivos e altruístas em substituição à ignorância medieval.

Além disso, para o filósofo Jean-Paul Sartre, a violência em qualquer forma é um fracasso da sociedade. Nesse sentido, verifica-se que a violência envolvida na capacitação seja ela física, verbal ou social é resultado da omissão dos governadores de um país em promover medidas efetivas de inclusão social. Dessa forma, as pessoas com deficiência ficam à margem da sociedade, sem a possibilidade de desenvolver seu potencial científico e profissional para perpetuar a ideia da deficiência.

Dado o exposto, torna-se urgente a realização de uma parceria entre Ministério da Educação e Instituições de Ensino, com o objetivo de promover a conscientização e inclusão social. Tal finalidade seria alcançada através do desenvolvimento de uma cartilha destinada aos professores, que contaria com instruções para a inclusão de deficientes no meio escolar, bem como com atividades de conscientização e desenvolvimento do altruísmo e coletividade. Assim, as grades da ignorância medieval seriam quebradas pelo conhecimento e inclusão, ao passo que a derrota social e educacional do país seria substituída por novas oportunidades e perspectivas, impedindo que o cenário de “Como Eu Era Antes de Você” se reproduza na realidade brasileira.